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Do que li

ATWOOD, M. O Conto da Aia. Trad. de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017. p.82

Espero. Eu me componho. Aquilo a que chamo de mim mesma é uma coisa que agora tenho que compor, como se compõe um discurso. O que tenho de apresentar é uma coisa feita, não algo nascido.

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distante de mim

Passo dias distante de mim. Saudade que invade de súbito. “Por que comigo” martela na minha cabeça sem pausa. Um coro insistente no meu ouvido diz: “ele não te quis”. Fui me diminuindo. Encolhi até me caber na palma da mão. Que lugar é esse que sempre volto? Me encaro no espelho, não há brilho. Caí mais uma vez. Estou no poço escuro, não faço ideia de como deixar de voltar para lá toda vez que tropeço.

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[esperamos]

Hoje, aguardamos ansiosas e ansiosos por uma notificação na tela do celular. Nos obrigaram a permanecer off-line. Tudo parou de repente. Sem aviso prévio. Talvez vocês, assim como eu, pensou ter consumido o pacote de dados antes do prazo, além de reiniciar o celular, acreditando que tudo seria resolvido, não resolveu.

A câmera funcionava. Fotografei o instante da espera. Milésimo de segundo congelado no tempo. Pausei a existência de ser. Me recuso a sucumbir. Sou esta fotografia, a mulher entre o azul, amarelo e vermelho.

“Fotografar, é colocar na mesma linha, a cabeça, o olho e o coração” (Henri Cartier-Bresson).

imagem arquivo pessoal, 2021