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Cais – Karine

Veja bem, não há o que fazer
Se os erros atrás não fazem mudar você
Me busquei dentro dos olhos teus
De tudo encontrei, mas nem um resquício meu
Quis desafogar você do amargo mar de não se importar assim
E as migalhas que me deu não quero mais, eu quero mais pois

Foi pra longe de nós, se perdeu
Avançando os sinais do meu eu
Me encontrei como cais de nós dois
Só parta em paz, pois parte de nós já foi

Quis desafogar você do amargo mar de não se importar assim
E as migalhas que me deu não quero mais, eu quero mais pois

Foi pra longe de nós, se perdeu
Avançando os sinais do meu eu
Me encontrei como cais de nós dois
Só parta em paz, pois parte de nós já foi

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SOLNIT, Rebeca. A mãe de todas as perguntas: reflexões sobre os novos feminismos ; tradução Denise Bottmann – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 50

Uma parte da força corrosiva do trauma consiste em sua capacidade de destruir as narrativas, e […] as histórias, escritas e faladas, têm um enorme poder terapêutico tanto para o narrador como para o ouvinte. As memórias normais, não traumáticas, são reconhecidas e integradas à história do eu em curso. São, em certo sentido, como animais domesticados, tratáveis, passíveis de controle. Em contraste, a memória traumática se mantém à parte, como um cão feroz, rosnando, selvagem e imprevisível.

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sobre silêncios

A boa educação também.

O que chamamos de boa educação muitas vezes significa aprender que o bem-estar alheio é mais importante. Você não pode incomodar, e estará errada se perturbar os outros, em qualquer circunstância.

SOLNIT, Rebeca. A mãe de todas as perguntas: reflexões sobre os novos feminismos ; tradução Denise Bottmann – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 60

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Revista Vida Simples (número 240 – 2022)

Qual o sentido do trabalho?

Trabalhar bastante, me aposentar, curtir a vida Sempre ouvi isso desde garoto
Dos meus pais, tios e amigos
Ou
Trabalhe com aquilo que você ama
E você não trabalhará nenhum dia da sua vida As duas coisas sempre foram meio sem sentido pra mim
Começando pela segunda
Infelizmente a maioria das pessoas
não consegue ganhar dinheiro Fazendo aquilo que o seu coração
ama genuinamente
Mas tudo bem
É preciso o sustento
Para ter certos prazeres na vida
Já a primeira
A ideia de adiar o prazer e se matar pelo trabalho Nunca me pareceu saudável Aproveitar a vida? Só amanhã
Acho que esse é um dos motivos
da nossa infelicidade
Adiar o prazer
Que o trabalho nos proporcione prazer Seja pelas vitórias que conseguimos ali
Ou
Pelos momentos de prazer que
o trabalho proporcionou,
uma viagem, uma conta paga no
bar em uma sexta com os amigos
Mas que você não adie a vida
Adiar a vida
Adiar é quase odiar
Por uma vogal

ZACK MAGIEZI, POETA

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citação

SOLNIT, Rebeca. A mãe de todas as perguntas: reflexões sobre os novos feminismos ; tradução Denise Bottmann – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 28

A tranquilidade de um lugar quieto, da quietude do nosso espírito, da recusa das palavras e da agitação é igual, em termos acústicos, ao silêncio da intimidação ou da repressão, mas, em termos psíquicos e políticos, é algo totalmente diferente. O que não se diz pela busca da serenidade e da introspecção é diferente do que não se diz porque os riscos são grandes ou as barreiras são impeditivas, do mesmo modo como nadar é diferente de se afogar. A quietude está para o barulho assim como o silêncio está para a comunicação.

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livro para começar 2022

SOLNIT, Rebeca. A mãe de todas as perguntas: reflexões sobre os novos feminismos ; tradução Denise Bottmann – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 22

” […] fui entrevistada ao vivo por uma mulher com uma entonação compassiva e elegante. “Então”, disse ela num gorjeio, “você foi ferida pela humanidade e se refugiou nas paisagens da natureza.” A conotação era óbvia: eu, um excepcional e deplorável exemplar, estava ali exposto, uma estranha no ninho. Virei para o público e perguntei: “Algum de vocês já foi ferido pela humanidade?”. Riram comigo; naquele momento, percebemos que todos tínhamos as nossas esquisitices, estávamos todos no mesmo barco, e que é para isso mesmo — para cuidar das nossas feridas, ao mesmo tempo aprendendo a não ferir os outros — que estamos aqui. E também pelo amor, que vem sob inúmeras formas e pode ser dirigido a inúmeras coisas. Há muitas perguntas na vida que vale a pena fazer, mas talvez, se formos sábios, nós possamos entender que nem toda pergunta precisa de resposta”.

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por Conceição Evaristo

Fonte: Universa UOL

“Aconselho a cada mulher, em 2022, a buscar descobrir sua importância na corrente da vida e a saber que se um elo se quebrar, a dilaceração, mesmo que imperceptível, é do universo, do mundo. Aconselho que cada mulher segrede no ouvido da outra, os seus planos, suas intenções, seus propósitos, desejos e direitos para que a outra escute bem e ao escutar, saiba reconhecer que a voz da sua semelhante se parece muito com sua própria voz e, assim, se reconheça na voz da outra.

Aconselho que cada mulher fique atenta à violência que nos cerca, não para sucumbir ao medo, mas para elaboração de modos de defesa para nossos corpos e mentes, a partir mesmo de nossas potências como geradoras e mantenedoras da vida. Que cada uma possa entender o sentido de sua vida e do seu trabalho nos mais diversos campos de atuação.

Quem é da cozinha, da arrumação, da limpeza, da sala de aula, afirme com seus gestos que a organização da vida cotidiana não existe sem nós. O cotidiano flui sob o nosso comando e assim, todas as mulheres vão poder exigir, com mais veemência, os seus direitos, assim como exigir respeito. O mundo nos deve esse reconhecimento, somos dignas.”