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Amadurecer

perder as folhas

Ainda assim é belo. Secar, perder as folhas, descolorir. O processo de amadurecimento é devagar. Antes é preciso ser semente. Crescer contra o peso da gravidade requer força.

Amadurecer é solitário. A maturação só chega no tempo certo, nem antes nem depois. Enfrentamos chuvas, pragas e secas. Vida ansiando pausa.

Reconhecer nossos descuidos nos faz humanos. Aceitar nossas falhas nos faz humildes. Se perdoar é o alicerce para nosso crescimento. No período certo a gente floresce. Ter folhas que dançam ao soprar dos ventos.

texto meu 📷 @luccienemedeiros

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Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

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(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

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texto meu. fotografia @lobo_lidiane

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uma borboleta azul e vermelha

Ela pousou em mim. Não notei quando ela se acomodou delicadamente na minha blusa. Minha amiga que estava próxima percebeu quando a borboleta pousou em mim. Sorrindo ela disse: “pousou do lado do coração”. Eu segurava uma xícara de chá e falava a sobre os desafios que a vida nos apresenta. Voou.

Tenho uma borboleta tatuada no meu braço. Amo borboletas. Observamos que borboleta havia pousado num carro. Minha amiga se aproximou, aumentou o zoom do celular e fotografou. Cheguei mais perto também. Tive a impressão de que a borboleta esfregava uma asa na outra, esse movimento revelou rapidamente a cor das suas asas. Vermelha e azul – azul brilhante. Não deu tempo fazer registro. Eu vi e minha amiga também. Com os olhos marejados falei: “nunca tinha visto uma borboleta azul de perto”. A borboleta voou pelo céu azul ensolarado. Desapareceu.

Sabe aquele sinal que você pede? Ele pode chegar em forma de borboleta.

sinal do Universo (06/08/2021)