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[alerta de textão]

arquivo pessoal, 2022

Há memórias invisíveis nesta fotografia. Um registro feito no fim, quando tudo silenciou. Estava lá, na minha frente, ao alcance das mãos. Não sei dizer se cheguei tão perto ou se cheguei tão longe, mas cheguei de alguma maneira. O caminho não foi/é dos mais fáceis, houve/há dor física e na alma também. Desacreditei que chegaria perto dessa bateria novamente, tinha certeza que esse som ficaria silenciado aqui dentro, para proteger a mim mesma de algumas dores. Apertar o play e aumentar o volume talvez tenha sido meu maior ato de coragem, nesses últimos anos. Não é apenas uma foto de uma bateria, é a foto da bateria.

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Amadurecer

perder as folhas

Ainda assim é belo. Secar, perder as folhas, descolorir. O processo de amadurecimento é devagar. Antes é preciso ser semente. Crescer contra o peso da gravidade requer força.

Amadurecer é solitário. A maturação só chega no tempo certo, nem antes nem depois. Enfrentamos chuvas, pragas e secas. Vida ansiando pausa.

Reconhecer nossos descuidos nos faz humanos. Aceitar nossas falhas nos faz humildes. Se perdoar é o alicerce para nosso crescimento. No período certo a gente floresce. Ter folhas que dançam ao soprar dos ventos.

texto meu 📷 @luccienemedeiros