Nota

construindo cuidado comigo mesma?

durante essa semana me descuidei. cheguei a duvidar do meu progresso na terapia – confesso que ainda tenho dúvidas. o mês de abril é carregado de significados, há memórias boas e outras que me ferem a alma – apesar dessa já estar ferida faz tempo. não querer escrever é evitar rememorar um passado – não tão distante assim – de mágoa e sofrimento. faz um ano – mas na verdade fazem três. anos que vi a minha vida inteira tombar depois da implosão – aquelas que assistimos nos filmes. implodi e tombei. os pedaços ainda estão espalhados – existe a possibilidade de não encontrar todos eles – alguns viraram pó. não consigo mentir para mim mesma e nem para as pessoas quando me perguntam como estou. ainda não estou bem – embora o psicólogo sinalize em todas as sessões que há uma excelente evolução. até este momento choro, duvido de mim mesma e penso ter sido a “peça” que fez tudo desandar. “se eu tivesse”, “se eu fizesse”, “se eu falasse”, “se eu fosse” são frases dentre tantas outras que me assombram. qual é o cuidado comigo mesma que estou vivenciando? não quero pensar mas eu penso. penso mas não quero pensar. nossa mente é realmente um campo desconhecido. sigo pisando em falso – estou muito cansada.

Nota

não zerei

descobri – na terapia – que ainda não zerei. ainda me apego a ideia de que fui boba. carrego uma culpa que não é minha.

invalido todas as alternativas tentadas por mim. ” se eu fosse”, “se tivesse”, “se aceitasse “.

me diminui para caber. não coube. faz quase três anos. surpresa comigo mesma. choro. não zerei.

Nota

ainda é tabu

O tema maternidade ainda é tabu, apesar das discussões sobre o tema estarem presentes em nossa sociedade. Se a mulher diz: “não quero ter filhos”, não demora para alguém torcer o nariz por sua opção. Se a mulher diz: “quero ter filhos”, também há quem torça o nariz para sua decisão. Torcem o nariz nas outras inúmeras situações ligadas a maternidade, não cabe fazer uma relação aqui. Quero ressaltar uma das situações que certamente virá a discussão novamente, já consigo identificar o movimento nas redes sociais, a mulher que engravida do primeiro filho depois dos quarenta anos de idade. Viviane Araújo, atriz e dançarina, anunciou recentemente que está grávida do seu primeiro filho, aos quarenta e seis anos de idade, e logo se tornou o nome mais procurando nos sites de buscas, se você digitar “Viviane Araújo”, a segunda opção de referência é “Viviane Araújo idade”. Por que ainda é tabu a idade e a maternidade? Já não sabemos que dispomos de uma medicina avançada, que estudos e pesquisas apontam para uma qualidade de gestação após os quarenta anos? Me incomoda ler nas notícias, ainda que nas entrelinhas, o preconceito com a mulher que engravida depois dos quarenta. Um saco precisar ficar se explicando por suas escolhas, ou pelas escolhas que a sua revelia, a própria vida lhe impôs. O fato é que a MULHER decide o que ela quiser, ela nunca colocaria a sua vida e a de outra vida em risco, não tenho dúvidas. SOMOS MULHERES, desculpa ae!