Nota

dizer

Ficaria com você até ficar velhinha – não por acomodação – por amor. Não precisaria fazer esforço algum para dividir meu dias com você. Não menti sobre meus sentimentos – nunca menti. Os planos seriam cumpridos – todos eles. Acho que sou a pessoa mais clichê possível, sempre acreditei que seria casa, cachorro e filhos. Você mudou… eu notei, perguntei o motivo mas você repetia “é o mesmo de sempre”, as coisas no trabalho, em casa, na vida. Continuei oferendo minha melhor versão – eu queria ajudar. Você não me deixou segurar suas mãos, e isso doeu. O discurso “sou eu e não você” gelou meu coração. Mesmo sabendo que não havia mais nada a ser feito, eu fiz. Combinados, acordos, tempo, silêncio, distância e conversas. Me machuquei em todas as tentativas. Você não queria mais, eu sempre quis. No fim, eu fui embora em pedaços, e você me pediu desculpas. Não olhei para trás, abri o portão e entrei, eu sabia que não aguentaria te dizer adeus.

Nota

Resolvi aparecer só porque o @tiagoiorc apareceu.

Para quem não tá sabendo da novidade… ele lançou na quinta-feira (11) nova música e novo clipe.

A letra é IMPACTANTE, o clipe ainda mais. Necessário escutar – digo escutar não apenas ouvir – mais de uma vez para entender a mensagem. Seis minutos de tirar o fôlego.

O tema é indispensável para reflexão e discussão, chama atenção para questões que estão presentes em nosso dia a dia. @tiagoiorc expôs suas vulnerabilidades, e é preciso ter coragem para fazê-la. Lembrei do título do livro de Brené Brown, “A coragem de ser imperfeito”, lido recentemente, que fala sobre aceitar nossas vulnerabilidades e ousar ser quem você é.

Um spoiler dessa letra tão impactante👇🏼

[…]
Eu duvidei da minha validade. Na insanidade virtual. 
[…]
Precisamos nos responsabilizar, meus amigos / A gente cria um mundo extremo e opressivo / Diz aí, se não estamos todos loucos / Por um abraço / Que cansaço
[…]
Cuidado com padrões radicais / Cuidado com absurdos  normais / Cuidado com olhar só pro céu / E fechar o olho pro inferno que a gente mesmo é capaz”
[…]

Nota

Dos livros que li

[ WOOLF, Virgínia. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro; prefácio Ana Maria Machado – 2. ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. p.92 ]

janela

A mente é decerto um órgão muito misterioso, refleti, afastando minha cabeça da janela, sobre o qual não se sabe absolutamente nada, embora dependamos dele tão completamente. Por que sinto que há cisões e oposições na mente, tal como há tensões vindas de causas óbvias no corpo? O que se pretende dizer com “unidade da mente”?, ponderei, pois é claro que a mente tem um poder de concentração tão grande em qualquer ponto e a qualquer momento que parece não ter nenhum estado único de ser. Ela pode isolar-se das pessoas na rua, por exemplo, e pensar em si mesma como apartada delas, numa janela superior, olhando-as lá embaixo. Ou pode pensar espontaneamente com as outras pessoas, como, por exemplo, numa multidão esperando para ouvir a leitura de alguma notícia.

imagem arquivo pessoal, 2021

Nota

Paulo Freire e fotografia

Soube do documentário “Fonemas da Liberdade”, em comemoração ao centenário de Paulo Freire, uma amiga compartilhou em sua rede social. Quase ao mesmo tempo recebi de outra amiga algumas fotografias que ela havia registrado. Quem me conhece sabe que amo receber registros fotográficos, dos mais variados temas.

As imagens revelavam um olhar atento, dela, para a beleza que estava no meio do caminho. Falei que iria escrever um texto para uma das fotografias. Abri o link do documentário para assistir, me “pegou de jeito”, impossível não se emocionar. A educação transforma e ponto final.

A sincronicidade do universo me trouxe até esse texto que escrevo agora. As fotografias que recebi eram imagens de elementos do campo. O documentário apresenta o trabalho de alfabetização promovido por Paulo Freire, em Angicos, cidade do Rio Grande do Norte. O que têm em comum? Os registros fotográficos serem utilizados como suporte para o ensino e construção cultural.

Abaixo recorte da fala de Freire, que fiz questão de transcrever, para não esquecer.

“E evidentemente que não há nenhuma palavra escrita. E ao perguntar: “O que vemos nós aqui, nisto?” Evidentemente que eles começavam um processo de descrição do que está visto aqui.
[…]
Quer dizer, em uma discussão como esta, os analfabetos, em primeiro lugar, se reveem na situação concreta deles, da sua experiência existencial. Em segundo lugar, vão descobrindo a pouco e pouco, que é exatamente através da ação que os seres humanos exercem sobre a realidade concreta que eles não fizeram, que eles podem transformá-la. Mas na medida em que transformam essa realidade, eles criam produtos do seu trabalho. E esses produtos terminam por constituir-se em elementos culturais. Então o analfabeto, nesta hora, por exemplo, percebia que transformar a realidade com seu trabalho, com a sua ação e a sua reflexão é uma forma de criar e recriar o mundo. Por tanto de assumir um papel de sujeito transformador e não de objeto.

Para saber mais clica nos links abaixo

FONEMAS DA LIBERDADE | DOCUMENTÁRIO INÉDITO | CENTENÁRIO PAULO FREIRE – TVEBA

📷 @luccienemedeiros

Nota

Empatia, especiaria rara

A sociedade vai te julgar – e muito – se você for mulher mais ainda. Seu nome será assunto nas rodas de conversas e nos almoços familiares aos domingos. Te atribuirão um adjetivo – você ganhará um defeito e também uma piada.

Empatia se transformou numa especiaria rara, como aquelas do século XV, por ser impossível, com os conhecimentos da época, cultivá-las.

Vivemos “tempos líquidos”, avisava Zygmunt Bauman.