Nota

Empatia, especiaria rara

A sociedade vai te julgar – e muito – se você for mulher mais ainda. Seu nome será assunto nas rodas de conversas e nos almoços familiares aos domingos. Te atribuirão um adjetivo – você ganhará um defeito e também uma piada.

Empatia se transformou numa especiaria rara, como aquelas do século XV, por ser impossível, com os conhecimentos da época, cultivá-las.

Vivemos “tempos líquidos”, avisava Zygmunt Bauman.

Nota

Rubel – Mantra ft. Emicida

Ó meu pai, se tu existes
Manda a tua força, a gente aqui precisa
De descompromisso, de sabedoria

A pista tá vazia
E a gente não consegue nem sambar
Muda também alguma coisa de lugar
E deixa a luz entrar
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer

Que a gente não precisa de nada, nada (Não me deixa esquecer)
Que a gente não precisa de nada, nada (Não me deixa esquecer)
Que a gente não precisa de nada, nada (Não me deixa esquecer)
Que a gente não precisa de nada, nada (Não me deixa esquecer)
Que a gente não precisa de nada, nada (Não me deixa esquecer)

Pergunte a um gorila em que ano nós estamos
Nós estamos aí, cara Jorge, pega a espada e corta
Todo o mal que tem nesse mundo
Se o mal te for demais
Ajudo com uma prece e meu verso mais forte

Imagina a nossa terra
Reluzindo o que tem de mais profundo
Imagina o nosso povo todo se entendendo
Em coros, cantos, ó que sorte

Jorge, eu já perdi meu tempo
Encarando o próprio espelho
Medindo amor, contando like
Ouvindo os outros, tendo frio e tendo medo

Tua força, teu cavalo
Meu amparo, minha morada, meu segredo
Tua espada e tua coragem
Me acompanham na jornada desde muito cedo

Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer
Não me deixa esquecer

Que o melhor lugar (Não me deixa esquecer)
Do mundo é aqui (Não me deixa esquecer)
E agora (Não me deixa esquecer)

Que o melhor lugar (Não me deixa esquecer)
Do mundo é aqui (Não me deixa esquecer)
E agora (Não me deixa esquecer)
Que o melhor lugar (Não me deixa esquecer)
Do mundo é aqui (Não me deixa esquecer)

E todo silêncio assim tenso
É o resto de algum pesadelo
Manifesto equilíbrio tipo cerebelo
Quando o dia arrepia dos pés ao cabelo
Eu deixo fluir é o feng shui
É o som das águas desobstruir
Tudo que tanta mágoa tentou destruir

De farelo em farelo me reconstruí
Tanto dado, tanto caos, quanto cabo, quanto mal
Quanto enrosco, é loucura iniciante ou juízo final
Tanto encosto quanto imposto, vendo rosto posto
Que se não, um vazio brutal

Meu truta, somos poeira das estrelas, nada além
Frutos do acaso, soltos no tempo como nuvens
Luzes que cortam horizontes quando surgem
Ciclos que fecham, saca, assim como tu vens

“Cê gravou isso”

Eu peço a São Jorge
Que o nosso canto o canto de um povo inteiro Cante muito mais

Eu peço a Tins e Bens e Tais
Eu peço a Caetano e Caymmi
Que nos ilumine que o nosso canto cante muito mais

Eu peço a São Jorge
Que o nosso canto o canto de um povo inteiro cante muito mais

Eu peço a Tins e Bens e Tais
Eu peço a Caetano e Caymmi que nos ilumine
Que o nosso canto cante muito mais

Nota

chão

No banco do jardim. Parei um segundo para observar a chuva cair. Um dia frio. Vento forte. Fiquei com vontade de sentar na calçada - no meio fio - ficar mais próxima do chão e prosear com alguém até a chuva passar. No chão frio sinto a força da terra. Nos últimos dois anos estive mais no chão do que qualquer outro lugar. Duro. Frio. Escuro. Lamacento. Olhando daqui do banco, o chão não parece tão repulsivo. Rememorei minha infância na porta de casa. O chão era local sagrado. Espaço de encontro. Bom sentar no chão. A gente ria. Brincava. Compartilhava segredos. Crescemos. Deixamos de frequentar nosso lugar. Esquecemos. Somos adultas. Chão agora lembra queda. Cair dói. Na pressa do dia a dia nem notei que eu havia levantado do chão. Hoje desejei sentar no chão - por escolha.