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um espiral

crédito da imagem Pinterest

Não tem jeito, é espiral. Superar algo ou alguém é um processo espiral, corre-se o risco de voltar – mais de uma vez – ao ponto inicial do sofrimento. Repetir. Repetir. Repetir. Doer. Doer. Doer. Quem me dera conseguir controlar meus pensamentos – eles apenas vêm sem aviso – e me derrubam. Fico silenciosa, me reservo, quero poupar quem já ouviu minha história mais de “mil vezes”. Talvez para me proteger de mim mesma eu me tranque por dentro, é só eu e eu, mais ninguém entra. Passo o dia em guerra – entre engolir o choro e sorrir – é cansativo. Chego ao final do dia exausta, sinto meu corpo pesar – quero chorar porquê estou cansada. É um processo espiral e não posso fugir, não tem outra opção senão passar por ele. Dói.

Acabou

Acabou oficialmente, embora eu já soubesse de alguma maneira – minha intuição não falha – de que já havia passado do ponto faz algum tempo.

Não desistir facilmente é algo que carrego comigo – sou do signo da terra no mapa astral – acredito que usei todas as alternativas que a mim cabiam – mas sei o momento de parar, evitar desgastes e dores desnecessárias.

Não estou dizendo que foi fácil e indolor, pelo contrário, foi difícil e dolorido. Precisei ler nas entrelinhas, observar os sinais, ouvir o não dito – confesso que gastei muita energia – ficar subentendido machuca.

Esgotamos. Já não fazia mais sentindo insistir em algo que já não havia mais sentido. Apesar de muito doído, consigo identificar a importância de se ter experiência – faz um ano que fui ao fundo do poço, e o que vem depois do fundo também – então estar nesse lugar conhecido já não me assusta tanto – eu sei como sair dele e tenho todas as ferramentas necessárias dentro da minha sacola.

Por enquanto deixo cair todas as lágrimas que precisam para me lavar. Respirar. Levantar. Desejo que sejamos felizes e que a Luz do Universo guie nossos caminhos.

É isso, de repente solteira, novamente.

A gente fica com medo do amor quando é machucada. Enquanto escrevo estas palavras me sentindo uma boba por ter acreditado que seria diferente. Tive o cuidado de perguntar a intenção antes de me jogar, parecia haver rede de proteção, mas eu cai no chão. Vasculho cuidadosamente meus pensamentos mas vejo apenas dor. Me fecho, dois passos para trás, encolho a testa entre as sobrancelhas. Afasto as pessoas a qualquer sinal de aproximação. Penso que talvez estejam todxs cansadxs das minhas histórias. Faz um ano… e eu pensei que seria tudo diferente, e não foi, não está sendo.

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Também sou fraca

Queria poder estar sentindo essa força – tão falada hoje – que nós mulheres possuímos. Hoje, me sinto fraca, impressão de que falhei comigo mesma.

Me sentir fraca justamente no dia das mulheres, me traz a reflexão de que somos cobradas, em todos os momentos, para mostrarmos essa força que nos obrigaram a possuir. “Ah, mulher é forte”, “vocês têm uma força diferente”. Sim, somos fortes, temos uma força diferente, mas também somos fracas e precisamos de atenção.

Hoje não dá para ser forte, amanhã talvez, hoje quero poder sentir tudo que vêm com intensidade e explode em gotas salgadas.