Do que li…

ESTÉS, Clarissa Pinkola. A ciranda das mulheres sábias: ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem; tradução de Waldéa Barcellos – Rio de Janeiro: Rocco, 2007. p.93-94.

Por todas as mulheres mais velhas matreiras que estão aprendendo quando chegou a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar — ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras. Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel… que conseguem ver que podem cortar quando for necessário, com um corte afiado e limpo… que estão praticando a arte de dizer verdades totais com total compaixão. Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhotinhos e os tivessem conhecido desde sempre… por todas as que estão aprendendo a chocalhar os ossos, balançar o barco — e a cama —, além de acalmar as tempestades…. por aquelas que são as guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio no culto diário… por aquelas que cumprem os rituais, que se lembram de como fazer fogo a partir da simples pederneira e paina… por aquelas que dizem as antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar… por aquelas que abençoam os outros com facilidade e frequência… por aquelas mais velhas que não têm medo — ou que têm medo — e que agem com eficácia de qualquer modo…

Por elas…

que vivam muito,

com força e saúde,

e com um imenso espírito aberto aos ventos.

bruxas

As ditas “bruxas” na idade média – que morreram queimadas – eram mulheres extremamente poderosas, conectadas com seus ciclos e os da natureza, luas e intuição. Justamente por terem todo esse poder foram massacradas. […] Agradecer à sabedoria herdada, à vida que veio de tantas ancestrais até nascermos, e lembrar que tudo de bom que elas nos deixaram, segue conosco. Mas nos libertamos de toda dor vivenciada por elas para que sigamos nosso caminho livres! (texto Kareeemi)

eu, Vandinha (arquivo pessoal, 2021)
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Tranças

Tranças

Gosto da sensação de trançar os cabelos. Me sinto mais forte. Lembro das mulheres com tranças nos cabelos que foram chamadas de loucas. Me (re)conecto com nossas ancestrais, aquelas que vieram antes. Tranças emanam força. Mulheres guerreiras sustentando suas espadas. Trançar os cabelos me faz sentir protegida por todas essas mulheres, fortes e sábias, que reconhecem a força que têm. Hoje, depois de trançar os cabelos, uma dessas mulheres veio me visitar, falou baixinho no meu ouvido: “a força está em você”. Ela tinha cheiro de lavanda e cabelos vermelhos trançados. Era a própria força. Toda vez que quero falar com ela faço tranças nos cabelos, esse é o nosso segredo.

imagem arquivo pessoal, 2020