Nota

ATWOOD, M. O Conto da Aia. Trad. de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017. p.343

Fico sentada em meu quarto, junto da janela, esperando. Em meu colo há um punhado de estrelas amassadas.
Esta poderia ser a última vez que tenho de esperar. Mas não sei o que estou esperando. O que você está esperando?, costumavam dizer. Isso significava apresse-se. Não se esperava nenhuma resposta. Pelo que você está esperando é uma pergunta diferente, e não tenho resposta para ela tampouco.
Entretanto não é esperar, exatamente. É mais como uma forma de suspensão. Sem suspense. Finalmente não há tempo.

Nota

Do que li…

ATWOOD, M. O Conto da Aia. Trad. de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017. p.267

Não quero estar contando essa história.

Não quero contá-la. Não tenho que contar nada, nem para mim mesma nem para mais ninguém. Poderia apenas ficar aqui sentada, sossegadamente. Poderia me retirar. É possível ir tão longe para dentro, descer tão fundo e recuar tanto, que eles jamais conseguiriam fazer você sair.

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