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Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

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(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

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texto meu. fotografia @lobo_lidiane

Nota

Empatia, especiaria rara

A sociedade vai te julgar – e muito – se você for mulher mais ainda. Seu nome será assunto nas rodas de conversas e nos almoços familiares aos domingos. Te atribuirão um adjetivo – você ganhará um defeito e também uma piada.

Empatia se transformou numa especiaria rara, como aquelas do século XV, por ser impossível, com os conhecimentos da época, cultivá-las.

Vivemos “tempos líquidos”, avisava Zygmunt Bauman.

a sociedade está involuindo

♀️ Alerta de textão ♀️

Difícil acreditar que estamos no século XXI. É INACEITÁVEL que planos de saúde exijam o consentimento do marido para autorizar a realização do procedimento de inserção de DIU (dispositivo intrauterino), método contraceptivo.
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Mais um dos absurdos do CAPITALISMO=PATRIARCADO=MACHISMO. A posse do nosso corpo NÃO PODE E NÃO DEVE ser de outra pessoa além de nós mesmas.
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Abaixo compartilho um texto muito lúcido sobre essa exigência.
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Reposted from

@debora_d_diniz A jornalista Victoria Damasceno me ligou. O pedido era inusitado: o que eu teria dizer sobre a obrigatoriedade de consulta ao marido para mulheres que buscassem um DIU? Sim, a pergunta era essa—marido, namorado, companheiro, o homem de uma relação afetiva-sexual tem o poder de vetar que uma mulher use um DIU?

Cheguei a duvidar do que a jornalista me contava: planos de saúde exigiam o consentimento dos maridos para o uso de DIU. Ainda assim descreviam os homens com poder de decisão: maridos.  Só não pensei que estava fora do tempo, talvez no século 19, porque DIU foi desenvolvido nos anos 1960.

As razões devem ser comerciais, como sempre fazem os planos de saúde. Ao exigir essa figura civil do marido, nem todas as mulheres se apresentam em conjugalidade para a decisão de um método. Imediatamente, se reduz a demanda. Há as sozinhas, as solteiras com companheiros, as sozinhas com companheiras e companheiros, e tudo mais que a imaginação e desejo puder nos levar.

Mas é também o patriarcado alimentando o capitalismo feroz. A lógica da restrição de acesso a um serviço se move por uma racionalidade patriarcal de controle dos corpos das mulheres. As mulheres seriam propriedade dos homens que se apresentem como maridos, a tal ponto que a vontade deles decidiria se ela usa ou não um DIU.

Há poucas situações em nossas vidas que estamos, verdadeiramente, diante de um dilema moral. Aqui é uma delas: se o marido diz “não”, não há DIU. Só há duas respostas possíveis a essa pergunta infame dos planos de saúde, consentir ou não consentir, e ambas são atribuídas ao patriarca.

Alguém duvida de como o patriarcado está entranhado em nós?

clube do brigadeiro gelado

Dois meses atrás, uma amiga me apresentou um brigadeiro gelado que segundo ela: “cura qualquer dor de cotovelo”, cura mesmo. Naquele dia compartilhamos nossas dores, alegrias, medo e conquistas. Retomamos uma amizade que foi construída no período da Universidade. O tempo, a vida e tantas outras obrigações acabam nos afastando de muitas pessoas ao longo da vida. Uma tarde de escuta atenta e acolhedora. Nos divertimos apesar de estarmos passando por uma fase desafiadora no momento, e foi como se o tempo não tivesse passado, ainda éramos aquelas meninas, hoje mulheres, de anos atrás descobrindo o mundo. Amizade é amor puro.

Ontem, apresentei esse mesmo brigadeiro para outra amiga, mais uma tarde de conversa boa, de escuta atenta e acolhedora. Também rimos, falamos de assuntos doídos, sonhos, desejos e medos. Aprendemos muito quando escutamos outra pessoa, mas para que esse aprendizado seja significativo é preciso que haja empatia. Não precisa concorda com tudo, mas respeitar sim. Também nos divertimos apesar de estarmos passando por uma fase desafiadora no momento. Amizade é amor puro.

Acho que vou criar o “Clube do brigadeiro gelado”, um grupo de mulheres, que se baseia na escuta atenta e acolhedora, afinal, quando acolhemos uma mulher acolhemos também nossas ancestrais. É tão bom não se sentir sozinha. Gratidão ao feminino que venho descobrindo em mim. Quem me dera juntar todas numa mesa para compartilharmos nossas histórias, quem sabe um dia… Vou jogar para o Universo. Sigamos juntas.

“Quem tem um amigo tem tudo
Se o poço devorar, ele busca no fundo
É tão dez que junto todo stress é miúdo
É um ponto pra escorar quando foi absurdo.”

Emicida – Quem tem um amigo (tem tudo)

texto atualizado (uma versão melhorada)

imagem de @hlucatelli

Imagem de @hlucatelli que me faz lembrar das nossas ancestrais, mulheres sábias.
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Não é um texto para falar sobre reality show, embora esteja acompanhando o desenrolar da edição 21.
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Este texto é para falar sobre música. Gosto de música – na verdade eu amo música. Assim como a fotografia, a música exerce um poder misterioso sobre mim. Constantemente estou descobrindo uma banda, uma cantora, um cantor, uma canção nova.
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Uma descoberta musical de significado, foi a música “Triste, Louca Ou Má”, de Francisco, El Hombre, cantada por uma das participantes, da edição 21, do reality show do momento.
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Acredito que a letra dessa canção é um pequeno recorte histórico da luta das mulheres – aquelas que vieram antes de nós. As palavras dessa música versam sobre o feminino, dores, força e todos os estereótipos que carregamos por ser mulher.
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Qualificadas, julgadas, condenadas, pressionadas, discriminadas e etc. Definições ainda presentes na contemporaneidade – infelizmente não ficaram no passado.
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Desejo que nós – mulheres – aprendamos sempre um pouco mais sobre nossa história e, que consigamos “desatinar” sempre que preciso for.
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“Eu não me vejo na palavra / Fêmea, alvo de caça / Conformada vítima / Prefiro queimar o mapa / Traçar de novo a estrada / Ver cores nas cinzas / E a vida reinventar. “Triste, Louca Ou Má” Francisco, El Hombre