Status

Consciente

Fui dormir mais cedo. Tomei o remédio que me “apaga” antes do horário habitual, atitude consciente. Achei mais seguro ir dormir. Dói muito ficar esperando por uma notificação sua que não chegará. Certeza que machuca e mareja meus olhos. Esperar. O prazo está se encerrando e quanto mais se aproxima fico ansiosa. Difícil prever o que acontece depois disso. Não há previsões. Nenhum movimento diferente. Nenhuma mensagem subliminar. A única alternativa é aguardar. Consciente me “apago”, não quero sentir dor, pelo menos por enquanto.

Imagem

dos aprendizados

Lua

“… pelas filhas que estão aprendendo a escutar a velha sábia da psique, aquela estranha sensação interior de nítida percepção, de audição, noção e ação intuitivas… pelas filhas que sabem que essa fonte da sabedoria interior é como a panela de mingau dos contos de fadas que, por mágica, nunca se esvazia por mais que se derrame seu conteúdo…

ESTÉS, Clarissa Pinkola. A Ciranda Das Mulheres Sábias: ser jovem enquanto velha e velha enquanto jovem. p.106.

imagem arquivo pessoal, 2020.

Nota

Clariceando na madrugada

Sei que é madrugada, o quarto ainda está escuro, mas os pensamentos já despertaram aqui dentro. Fizeram tanto barulho, e como uma música alta, despertaram a casa toda. Para Clarice Lispector, sábado é a rosa da semana, mas nada a impede de pegar suas coisas e se mudar para o domingo de manhã. Domingo de manhã, para ela, também pode ser a rosa da semana. Hoje me “mudei para o domingo”, igual a Lispector, quem sabe ele também seja a minha rosa da semana?

Sincronicidades

Apesar da quantidade de probabilidades que imaginei ao longo desses meses, fui completamente surpreendida pelo o Universo invisível – que acredito existir – entre o Céu e a Terra. A história começa com um cobertor que foi rasgado na máquina de lavar. Decidi que naquele dia iria costurá-lo e assim fiz. Guardei novamente da sacola de “coisas para devolver”. No mesmo dia, horas depois, piscava uma notificação na tela do meu celular. Apesar da sucessão de acontecimentos inimagináveis que surgiram no correr dos dias, eu ainda não havia notado a dimensão de tudo.

Sobre não perceber a dimensão dos fatos que aconteciam com precisão milimétrica, me lembrei de um trecho do livro, Sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han, que estou lendo. “Para o ´tudo em um´, eu tenho uma imagem: […] flores holandesas do século XVII, onde nos botões de flores, realistas, estão assentados aqui um besouro, ali um caracol, lá uma abelha, acolá uma borboleta, e embora talvez nenhum deles tenha noção da presença do outro, no momento, no meu momento todos estão junto a todos”.

E foi assim, as peças que aparentemente pareciam estar desconectadas se acomodaram exatamente nos espaços vazios, como num quebra-cabeça. Consciente de que ainda faltam muitas peças para serem encaixadas, aguardo com paciência e calma. Sem pressa.