poesia vulnerável

Parada de descompressão;
Hiato inevitável;
(Re)definir limites;
Honrar seu tempo;
Sentar quando o corpo cansa;
Coragem é acolher os medos;
Não é sobre estar no fundo;
É sobre como subir à superfície;
Ser vulnerável;
Primeiro degrau;
Faço poesia.

*imagem arquivo pessoal,2021.

Status

sem pontuação

escrevo com pressa. as palavras saem sem filtro. sem tempo para correções linguísticas. quero me livrar com urgência o que está preso. como num mantra repito para mim mesma que preciso respirar. aumento o volume do fone de ouvido. busco abafar as vozes que vêm de fora. escuto apenas o que está dentro. há muita confusão. medo. dúvida. há ansiedade. correr para longe. subir o Himalaia. manter a calma. bagunçou o que parecia organizado. respira e expira. vou dar conta. acho que não aguento mais. é só mais um pouco. fé. esperar. decidir. escolher. assumir. estou cansada. muito. esforço eu faço para sorrir. jujubas coloridas me alimentam. acelerei. resiste. não desiste. reza. pede. agradece. emana luz. quero ficar no escuro. abraço meus joelhos quando deito. me maltrato. café gelado. alarme para medicação. futuro. passado. presente. faz silêncio. impaciente a perna treme. peço uma luz. aguardo um sinal. quero sair. prefiro me trancar por dentro. me afasto. me aproximo. desativo. choro. grito. como é que faz?

o primeiro passo

O primeiro passo sempre é o mais difícil, não temos equilíbrio para sustentar o corpo e temos medo de cair.

Medo.

O medo pode nos alertar quando há perigo, nos proteger, mas também pode nos fazer parar.

Parar.

Sem movimento não existe crescimento – não estou falando de parar no sentido de descansar, respirar ou pegar impulso – e sim sobre ficar imóvel, congelar e paralisar.

Crescimento.

Ninguém nos avisou que crescer seria um “troço” desafiador – na verdade, difícil, bem difícil – não nos alertaram também, sobre as quedas, decepções, tombos e de todas as coisas que fazem parte do “pacote” no processo de crescimento.

O primeiro passo, o medo, o parar e o crescer. Todos eles juntos – amigos inseparáveis – fazem parte da construção da nossa história. Que não esqueçamos de (re)começar – como no primeiro passo – sempre que preciso for.

(Re)começar.