tem Lua Cheia hoje

A coluna, feito rio, nasce dentro da cabeça. Escorre vértebra por vértebra até desaguar dentro do quadril. Do rio, nascem seus afluentes, braços e pernas, A pele, sem costura. Infinito. Pele-tempo, envelopa a existência da nossa dança interna. De cada poro da pele, antenas se conectam com os outros oceanos que caminham pela vida. Caminhamos . Oceano adentro. Provocamos, como uma pedra na superfície da água, ondas que vão crescendo e alcançando longe. Todos os corpos-pele se alcançando por ondas. Nós não temos um corpo, somos corpo. Somos aqui e agora. Rastros e projeções. É no corpo que a vida acontece e a intuição mora. No corpo bate o coração, mora a cicatriz da infância, dói a perda, goza o prazer, arrepia na brisa. É o corpo da morada da eletricidade e do abismo. O corpo conta a sua ancestralidade, sua luta, sua história genética. Corpo-intuição é a morada dos sonhos. Corpo-intuição é reaprender a fazer o caminho de volta, do habitar com consciência e sabedoria a sua única casa no aqui e agora, o lugar garantido. Corpo que se amplifica para que aquilo que – Significa importe para pele, estômago, garganta, ventre. À perfeição do coração bombeando sangue para todas as partes do corpo, dos órgãos trabalhando em orquestra, das reações físicas às sensações emocionais, dos sonhos durante o sono e os sonhos traçados acordados. O corpo é muita poesia.

Renata Stein