amanhecer com chuva

acordei com o barulho da tempestade. chuva forte, ventos intensos e trovões anunciavam que havia amanhecido. me recordei das manhãs que despertava ao seu lado, gostávamos de ouvir os sons da tempestade, o medo dos trovões me faziam encolher em seus braços. a gente gostava de chuva ao acordar, era a desculpa perfeita para ficar um pouco mais na cama. como fazer para esquecer as manhãs de chuva com você, já que você não está mais aqui?

Publicidade

texto que não será enviado

Faz muito tempo, que não tem um sábado 27, em novembro, ainda lembro daquele. Recordei isso no início dessa semana, quando precisei digitar a senha do app. Pensei em te escrever, devo ser mesmo teimosa, e já que sou... Porquê não?

Não procurei pensar muito no que falar, escrevo a medida que as palavras saem. Chamar de mais uma tentativa, de mais uma chance... Não sei. Talvez eu não faça ideia do perigo escondido nessas minhas palavras, de eu mesma me machucar. Crio expectativas, difícil evitar.

Será que como nos filmes, a gente pode "zerar", não no sentido de esquecer tudo, mas no sentido de reiniciar? Pensei nesse 27/11, a gente sentar, conversar... Só não dá para ter show do Calipso.  

Sei que não posso entrar assim na sua vida, do nada, e talvez bagunçar o que você já arrumou, não é minha intenção, nunca foi. Eu sou mesmo "exagerada" e exageradamente teimosa, te faço o convite para um café, no sábado 27, no final da tarde. Você pode recusar esse convite e tudo bem se for assim, quem sabe só tenha existido um 27/11 na vida da gente.

Me sinaliza até sexta.

Abç

Talvez (Caetano Veloso e Tom Veloso)

Talvez pra você eu seja mais um
Pra mim você é o que ninguém foi
Eu vivo a vida com calma
Pensando no amor
Talvez meu olhar que te conquistou
Não tenha mais luz nem tenha mais cor
Mas tantas memórias, histórias
Canções pra compor
Me levam a crer que você
Planeja ficar sem me ver
Mas guarda no fundo a voz
Da vida cantando pra nós
Talvez esta dor um dia fará
Do nosso lugar um forte, um lar
Eu guardo no peito a vontade
E a certeza de amar
Status

distante de mim

Passo dias distante de mim. Saudade que invade de súbito. “Por que comigo” martela na minha cabeça sem pausa. Um coro insistente no meu ouvido diz: “ele não te quis”. Fui me diminuindo. Encolhi até me caber na palma da mão. Que lugar é esse que sempre volto? Me encaro no espelho, não há brilho. Caí mais uma vez. Estou no poço escuro, não faço ideia de como deixar de voltar para lá toda vez que tropeço.

Status

no fim

E no fim é só você. Não faz eco. Carrego meu dias entorpecida de dor. Tudo é cinza. Entre respirações pausadas tento manter a calma. Tudo queima como brasa por dentro. O corpo cansado sustenta o peso da decepção. Em tempo algum imaginou que pudesse ser assim. Presa fácil. Talvez sofresse de miopia. Destino certo ser sozinha. Quiçá os sonhos serão realizados. Não há mais fantasia. A água salgada embaça os olhos. É fim. E só. Não vejo a linha de chegada.

Acabou

Acabou oficialmente, embora eu já soubesse de alguma maneira – minha intuição não falha – de que já havia passado do ponto faz algum tempo.

Não desistir facilmente é algo que carrego comigo – sou do signo da terra no mapa astral – acredito que usei todas as alternativas que a mim cabiam – mas sei o momento de parar, evitar desgastes e dores desnecessárias.

Não estou dizendo que foi fácil e indolor, pelo contrário, foi difícil e dolorido. Precisei ler nas entrelinhas, observar os sinais, ouvir o não dito – confesso que gastei muita energia – ficar subentendido machuca.

Esgotamos. Já não fazia mais sentindo insistir em algo que já não havia mais sentido. Apesar de muito doído, consigo identificar a importância de se ter experiência – faz um ano que fui ao fundo do poço, e o que vem depois do fundo também – então estar nesse lugar conhecido já não me assusta tanto – eu sei como sair dele e tenho todas as ferramentas necessárias dentro da minha sacola.

Por enquanto deixo cair todas as lágrimas que precisam para me lavar. Respirar. Levantar. Desejo que sejamos felizes e que a Luz do Universo guie nossos caminhos.

É isso, de repente solteira, novamente.

A gente fica com medo do amor quando é machucada. Enquanto escrevo estas palavras me sentindo uma boba por ter acreditado que seria diferente. Tive o cuidado de perguntar a intenção antes de me jogar, parecia haver rede de proteção, mas eu cai no chão. Vasculho cuidadosamente meus pensamentos mas vejo apenas dor. Me fecho, dois passos para trás, encolho a testa entre as sobrancelhas. Afasto as pessoas a qualquer sinal de aproximação. Penso que talvez estejam todxs cansadxs das minhas histórias. Faz um ano… e eu pensei que seria tudo diferente, e não foi, não está sendo.