Status

distante de mim

Passos dias distante de mim. Saudade que invade de súbito. “Por que comigo” martela na minha cabeça sem pausa. Um coro insistente no meu ouvido diz: “ele não te quis”. Fui me diminuindo. Encolhi até me caber na palma da mão. Que lugar é esse que sempre volto? Me encaro no espelho, não há brilho. Caí mais uma vez. Estou no poço escuro, não faço ideia de como deixar de voltar para lá toda vez que tropeço.

Status

no fim

E no fim é só você. Não faz eco. Carrego meu dias entorpecida de dor. Tudo é cinza. Entre respirações pausadas tento manter a calma. Tudo queima como brasa por dentro. O corpo cansado sustenta o peso da decepção. Em tempo algum imaginou que pudesse ser assim. Presa fácil. Talvez sofresse de miopia. Destino certo ser sozinha. Quiçá os sonhos serão realizados. Não há mais fantasia. A água salgada embaça os olhos. É fim. E só. Não vejo a linha de chegada.

Acabou

Acabou oficialmente, embora eu já soubesse de alguma maneira – minha intuição não falha – de que já havia passado do ponto faz algum tempo.

Não desistir facilmente é algo que carrego comigo – sou do signo da terra no mapa astral – acredito que usei todas as alternativas que a mim cabiam – mas sei o momento de parar, evitar desgastes e dores desnecessárias.

Não estou dizendo que foi fácil e indolor, pelo contrário, foi difícil e dolorido. Precisei ler nas entrelinhas, observar os sinais, ouvir o não dito – confesso que gastei muita energia – ficar subentendido machuca.

Esgotamos. Já não fazia mais sentindo insistir em algo que já não havia mais sentido. Apesar de muito doído, consigo identificar a importância de se ter experiência – faz um ano que fui ao fundo do poço, e o que vem depois do fundo também – então estar nesse lugar conhecido já não me assusta tanto – eu sei como sair dele e tenho todas as ferramentas necessárias dentro da minha sacola.

Por enquanto deixo cair todas as lágrimas que precisam para me lavar. Respirar. Levantar. Desejo que sejamos felizes e que a Luz do Universo guie nossos caminhos.

É isso, de repente solteira, novamente.

A gente fica com medo do amor quando é machucada. Enquanto escrevo estas palavras me sentindo uma boba por ter acreditado que seria diferente. Tive o cuidado de perguntar a intenção antes de me jogar, parecia haver rede de proteção, mas eu cai no chão. Vasculho cuidadosamente meus pensamentos mas vejo apenas dor. Me fecho, dois passos para trás, encolho a testa entre as sobrancelhas. Afasto as pessoas a qualquer sinal de aproximação. Penso que talvez estejam todxs cansadxs das minhas histórias. Faz um ano… e eu pensei que seria tudo diferente, e não foi, não está sendo.

chorar

“quando chega a noite e você pode chorar” (Legião Urbana)

Quem nunca esperou anoitecer para chorar? Esperar o apagar da luzes e tudo silenciar. Após checar que não seremos interrompidas ou interrompidos desaguamos. Colocar tudo para fora é libertador, mas também é dor.

na madrugada

Me derramei na madrugada. Tudo que estava contido se rompeu com uma força imensa, a água salgada ocupou todos espaços vazios. Me abracei e encolhi. Choro de dor. Enquanto procurava entender a tempestade que chegou sem aviso, implorei para o Universo enviar um sinal. Dormi depois de tomar o remédio. Apaguei. Acordei querendo colo, desejei que alguém me acolhesse e dissesse que vai ficar tudo bem. Consegui conter a represa, só não sei até quando. Ser forte o tempo todo cansa.

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Nossos fantasmas

Que bom seria se todos os nossos fantasmas fossem “bom camarada”, como Gasparzinho. A gente têm encarado monstros, visíveis e invisíveis. Dois mil e vinte se assemelha a um trem fantasma desgovernado. Tenho a sensação de estar participando de uma película de ficção científica, em alguns momentos me sinto como um rato de laboratório, sendo testada a todo momento. Virei cobaia da vida. É sabido que o mundo virou de ponta cabeça e nossas vidas giraram 180° graus. Como diz meu aluno: “está tudo bugando”. Realmente “bugou”e não faço a menor ideia de como sair desse trem fantasma, que insiste em me assustar. Gasparzinho, você está aí?

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