Imagem

Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

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(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

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texto meu. fotografia @lobo_lidiane

poesia vulnerável

Parada de descompressão;
Hiato inevitável;
(Re)definir limites;
Honrar seu tempo;
Sentar quando o corpo cansa;
Coragem é acolher os medos;
Não é sobre estar no fundo;
É sobre como subir à superfície;
Ser vulnerável;
Primeiro degrau;
Faço poesia.

*imagem arquivo pessoal,2021.

texto atualizado (uma versão melhorada)

imagem de @hlucatelli

Imagem de @hlucatelli que me faz lembrar das nossas ancestrais, mulheres sábias.
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Não é um texto para falar sobre reality show, embora esteja acompanhando o desenrolar da edição 21.
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Este texto é para falar sobre música. Gosto de música – na verdade eu amo música. Assim como a fotografia, a música exerce um poder misterioso sobre mim. Constantemente estou descobrindo uma banda, uma cantora, um cantor, uma canção nova.
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Uma descoberta musical de significado, foi a música “Triste, Louca Ou Má”, de Francisco, El Hombre, cantada por uma das participantes, da edição 21, do reality show do momento.
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Acredito que a letra dessa canção é um pequeno recorte histórico da luta das mulheres – aquelas que vieram antes de nós. As palavras dessa música versam sobre o feminino, dores, força e todos os estereótipos que carregamos por ser mulher.
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Qualificadas, julgadas, condenadas, pressionadas, discriminadas e etc. Definições ainda presentes na contemporaneidade – infelizmente não ficaram no passado.
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Desejo que nós – mulheres – aprendamos sempre um pouco mais sobre nossa história e, que consigamos “desatinar” sempre que preciso for.
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“Eu não me vejo na palavra / Fêmea, alvo de caça / Conformada vítima / Prefiro queimar o mapa / Traçar de novo a estrada / Ver cores nas cinzas / E a vida reinventar. “Triste, Louca Ou Má” Francisco, El Hombre

Nota

borboleta

imagem domínio público

Uma pequena borboleta. Sempre gostei de borboletas, são criaturas belas. Tenho a impressão de que não fazem esforço para voar – o vento é o guia. Penso na vida e a comparo com uma borboleta em processo de metamorfose. Borboletas passam por uma metamorfose completa até ganhar asas.

O que é a vida senão uma eterna metamorfose de uma borboleta? Assim como as borboletas passam por transformações em sua forma e na estrutura do seu corpo, nós seres humanos, também mudamos ao longo do tempo.

Olhando para esta fotografia me vejo borboleta. Não faço ideia por quantas metamorfoses passei ao longo de todos esses anos, alguns processos mais doloridos que outros, mas necessários.

Aniversário sempre é um rito de passagem – uma celebração que tem um significado maior. No dia de hoje me permito ser lagarta, dou início a mais um processo de metamorfose – um tanto doído confesso –, enquanto espero o momento de ganhar minhas asas.

Há uma borboleta pousada no meu braço, na verdade ela mora nele agora, que me faz lembrar todos os dias que: tudo passa.  

Status

Chorar

Chorar. Colocar tudo para fora. Sentir cada parte do corpo doer. Diminuir ao abraçar a pernas enquanto o corpo treme. Chorar abafando a boca para não gritar, já que é madrugada. Dói. Já senti essa dor antes, ontem completou um ano, apesar de jurar para mim mesma que seria a primeira e última vez. Quebrei meu jurando e cá estou, quebrada novamente em vários pedaços. Ainda bem que sei qual cola usar. Unir os cacos não será tão difícil, confesso que aprendi muito com minha dor no passado. O fundo não será o meu lugar, não dessa vez.