Lua crescente

Sinto que estamos todas conectadas. 
Dizem que Lua crescente aponta a intenção pela mudança. 
No caminho encontrei mulheres que me acolheram, 
de cada uma recebi um punhado de força. 
Memórias ligadas pela ancestralidade.
Hoje tem Lua crescente no céu.
Na minha pele também.
Mudei.
Talvez seja esse o (re)começo.
Não estou sozinha.
Todas elas estão comigo.
Cada uma com sua própria história.

créditos da imagem @trilliantattoo

Status

Do que li

ATWOOD, M. O Conto da Aia. Trad. de Ana Deiró. Rio de Janeiro: Rocco, 2017. p.82

Espero. Eu me componho. Aquilo a que chamo de mim mesma é uma coisa que agora tenho que compor, como se compõe um discurso. O que tenho de apresentar é uma coisa feita, não algo nascido.

crédito da imagem, clique

Dos livros que li…

WOOLF, Virgínia. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro; prefácio Ana Maria Machado – 2. ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. p.67

imagem arquivo pessoal, 2021 (podemos tudo)

“É inútil dizer que os seres humanos devem satisfazer-se com a tranquilidade: eles precisam de ação, e irão provocá-la, se não a puderem encontrar. Milhões estão condenados a um destino ainda mais estagnado que o meu, e milhões vivem em silenciosa revolta contra sua sina. Ninguém sabe quantas rebeliões fermentam nas massas de vida que povoam a terra. Supõe-se que as mulheres sejam geralmente muito calmas, mas as mulheres sentem exatamente como os homens — elas precisam de exercício para suas faculdades e de um campo para seus esforços, tanto quanto seus irmãos; elas sofrem de uma contenção rígida demais, de uma estagnação absoluta demais, precisamente como sofreriam os homens; e é tacanhice de seus semelhantes mais privilegiados dizer que elas devem limitar-se a fazer pudins e costurar meias, a tocar piano e bordar sacolas. É impensado condená-las ou rir delas quando buscam fazer mais ou aprender mais do que os costumes declararam ser necessário para seu sexo.

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Amadurecer

perder as folhas

Ainda assim é belo. Secar, perder as folhas, descolorir. O processo de amadurecimento é devagar. Antes é preciso ser semente. Crescer contra o peso da gravidade requer força.

Amadurecer é solitário. A maturação só chega no tempo certo, nem antes nem depois. Enfrentamos chuvas, pragas e secas. Vida ansiando pausa.

Reconhecer nossos descuidos nos faz humanos. Aceitar nossas falhas nos faz humildes. Se perdoar é o alicerce para nosso crescimento. No período certo a gente floresce. Ter folhas que dançam ao soprar dos ventos.

texto meu 📷 @luccienemedeiros

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Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

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(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

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texto meu. fotografia @lobo_lidiane