Dos livros que li…

WOOLF, Virgínia. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro; prefácio Ana Maria Machado – 2. ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. p.67

imagem arquivo pessoal, 2021 (podemos tudo)

“É inútil dizer que os seres humanos devem satisfazer-se com a tranquilidade: eles precisam de ação, e irão provocá-la, se não a puderem encontrar. Milhões estão condenados a um destino ainda mais estagnado que o meu, e milhões vivem em silenciosa revolta contra sua sina. Ninguém sabe quantas rebeliões fermentam nas massas de vida que povoam a terra. Supõe-se que as mulheres sejam geralmente muito calmas, mas as mulheres sentem exatamente como os homens — elas precisam de exercício para suas faculdades e de um campo para seus esforços, tanto quanto seus irmãos; elas sofrem de uma contenção rígida demais, de uma estagnação absoluta demais, precisamente como sofreriam os homens; e é tacanhice de seus semelhantes mais privilegiados dizer que elas devem limitar-se a fazer pudins e costurar meias, a tocar piano e bordar sacolas. É impensado condená-las ou rir delas quando buscam fazer mais ou aprender mais do que os costumes declararam ser necessário para seu sexo.

mulheres são fortes

Terminei a leitura do livro: Um teto todo seu, de Virginia Woolf, faz alguns dias. Estou buscando conhecer um pouco mais sobre a história das mulheres, a minha – nossa na verdade. Um passado de dor, luta e também conquistas. A nossa história jamais será uma lenda, a história das mulheres é difícil de ser imaginada. Iniciei a leitura logo em seguida – para não perder o “embalo” – do livro: O conta da Aia, de Margaret Atwood – confesso que levei um susto – cheguei a me questionar se já não estaríamos vivendo como essas mulheres descritas no livro, depois da leitura penso em assistir a adaptação feita para o cinema – há filme e série. Me removi das redes sociais neste final de semana – preciso de pausa – têm muito o que ser ajustado aqui dentro. Aproveitei o off-line e apertei o play na série Maid, da Netflix, mais uma história sobre a vida das mulheres, que história. O que passaram, o que passamos e o que ainda iremos passar por sermos mulheres? Somos fortes, nossas ancestrais lutaram por nós e nós estamos lutando por aquelas que virão. Há um nó difícil de desatar, o patriarcado, sempre imbricado em nossa história. Espero que não seja apenas um desejo utópico – desfazer esse laço apertado da nossa garganta. Que sigamos fazendo a nossa história. Mulheres são fortes – não tenho a menor dúvida.

Nota

Dos livros que li

[ WOOLF, Virgínia. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro; prefácio Ana Maria Machado – 2. ed. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019. p.92 ]

janela

A mente é decerto um órgão muito misterioso, refleti, afastando minha cabeça da janela, sobre o qual não se sabe absolutamente nada, embora dependamos dele tão completamente. Por que sinto que há cisões e oposições na mente, tal como há tensões vindas de causas óbvias no corpo? O que se pretende dizer com “unidade da mente”?, ponderei, pois é claro que a mente tem um poder de concentração tão grande em qualquer ponto e a qualquer momento que parece não ter nenhum estado único de ser. Ela pode isolar-se das pessoas na rua, por exemplo, e pensar em si mesma como apartada delas, numa janela superior, olhando-as lá embaixo. Ou pode pensar espontaneamente com as outras pessoas, como, por exemplo, numa multidão esperando para ouvir a leitura de alguma notícia.

imagem arquivo pessoal, 2021

Estudos iniciados

DEL PRIORE, Mary. Sobreviventes e guerreiras: uma breve história das mulheres no Brasil: 1500-2000 – São Paulo: Planeta, 2020.

Resistir, manter acesa a chama efêmera da existência, aguentar, sobreviver. “Resistir”, cuja etimologia vem de stare e que significa ficar de pé. Resistimos como respiramos, por exemplo. Resistimos para sobreviver e também para defender nosso valores, sem os quais a vida não tem sentido. O bom é que, ao longo dos tempos, a matéria da qual somos feitas, ou seja, nossa cultura mestiça, resiste cada vez mais e melhor às pressões. E, longe de esconder os conflitos, nós os levamos para a praça pública a fim de encontrar soluções para a violência e para a desigualdade, soluções em que o grito seja substituído pelo diálogo e a concorrência, pela colaboração.