ORAÇÃO À NATUREZA


“Abrir a visão aos mistérios da vida é ter caminhado com os pés no chão, com as mãos no universo, com os olhos na ancestralidade, com os ouvidos musicais e com o amor no coração. É assumir a felicidade da vida custe o que custar até a morte, mesmo que a alma sangre, mesmo que o desamor maltrate e as lágrimas sucumbam. E o milagre explode: a sabedoria dos tempos! Por isso, oremos à natureza para que a justiça se faça.” Eliane Potiguara

*fonte: Manda Lunar 2022, p.137

Dona de Mim – TikTok Mix #SouDona

[...]
Sou dona de mim, sim
Sou feliz assim
Quero mais pra mim
Não me contento com pouco
O que me desejar pego o dobro
O que sobrar fica com o troco
Se eu sonho, eu realizo
Se eu quero, eu consigo
Confio no meus sentidos
Acredito no impossível
O amor é meu abrigo
Subi, mas não vim sozinha
Vitória delas também é minha
Ouço mil vozes em harmonia.
[...]
Citação

SOLNIT, Rebeca. A mãe de todas as perguntas: reflexões sobre os novos feminismos ; tradução Denise Bottmann – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017. p. 50

Uma parte da força corrosiva do trauma consiste em sua capacidade de destruir as narrativas, e […] as histórias, escritas e faladas, têm um enorme poder terapêutico tanto para o narrador como para o ouvinte. As memórias normais, não traumáticas, são reconhecidas e integradas à história do eu em curso. São, em certo sentido, como animais domesticados, tratáveis, passíveis de controle. Em contraste, a memória traumática se mantém à parte, como um cão feroz, rosnando, selvagem e imprevisível.

tem Lua Cheia hoje

A coluna, feito rio, nasce dentro da cabeça. Escorre vértebra por vértebra até desaguar dentro do quadril. Do rio, nascem seus afluentes, braços e pernas, A pele, sem costura. Infinito. Pele-tempo, envelopa a existência da nossa dança interna. De cada poro da pele, antenas se conectam com os outros oceanos que caminham pela vida. Caminhamos . Oceano adentro. Provocamos, como uma pedra na superfície da água, ondas que vão crescendo e alcançando longe. Todos os corpos-pele se alcançando por ondas. Nós não temos um corpo, somos corpo. Somos aqui e agora. Rastros e projeções. É no corpo que a vida acontece e a intuição mora. No corpo bate o coração, mora a cicatriz da infância, dói a perda, goza o prazer, arrepia na brisa. É o corpo da morada da eletricidade e do abismo. O corpo conta a sua ancestralidade, sua luta, sua história genética. Corpo-intuição é a morada dos sonhos. Corpo-intuição é reaprender a fazer o caminho de volta, do habitar com consciência e sabedoria a sua única casa no aqui e agora, o lugar garantido. Corpo que se amplifica para que aquilo que – Significa importe para pele, estômago, garganta, ventre. À perfeição do coração bombeando sangue para todas as partes do corpo, dos órgãos trabalhando em orquestra, das reações físicas às sensações emocionais, dos sonhos durante o sono e os sonhos traçados acordados. O corpo é muita poesia.

Renata Stein

Mandala lunar 2022 : um caminho de autoconhecimento / organização Ieve Holthausen, Naíla Andrade. –1. ed. — Porto Alegre, RS : Mandala Lunar, 2021.p.91

quarto de espelhos

eu ando pelo mundo arrancando as etiquetas que colam em mim. eu não caibo nas gavetas, caixas e prateleiras que me apresentam como destino.


minha partida é inteira. sou mais desatino e revoada do que ponto de chegada. quando me vês, sou outra, e a mulher que anda firme ao meu lado é uma versão atualizada de mim.


lamento bem pouquinho se te desagrado. e ofereço: teu olhar crítico viesse com cep, te devolveria compassiva cada uma das expectativas sobre quem você supõe que eu sou.

de brinde, te enviaria caquinhos deste quarto de espelhos que estilhaço a cada dia.

por irônico que pareça, quebradinho tem mais-valia nesse jogo que nos separa à serviço da mercantia.

por todas as vezes que me senti inadequada, o meu desagravo é me amar tim-tim por tim-tim, hoje, amanhã, sempre: respirando, acolhendo e celebrando esta que vou sendo… até o fim.

Nanda Barreto

Citação

por Conceição Evaristo

Fonte: Universa UOL

“Aconselho a cada mulher, em 2022, a buscar descobrir sua importância na corrente da vida e a saber que se um elo se quebrar, a dilaceração, mesmo que imperceptível, é do universo, do mundo. Aconselho que cada mulher segrede no ouvido da outra, os seus planos, suas intenções, seus propósitos, desejos e direitos para que a outra escute bem e ao escutar, saiba reconhecer que a voz da sua semelhante se parece muito com sua própria voz e, assim, se reconheça na voz da outra.

Aconselho que cada mulher fique atenta à violência que nos cerca, não para sucumbir ao medo, mas para elaboração de modos de defesa para nossos corpos e mentes, a partir mesmo de nossas potências como geradoras e mantenedoras da vida. Que cada uma possa entender o sentido de sua vida e do seu trabalho nos mais diversos campos de atuação.

Quem é da cozinha, da arrumação, da limpeza, da sala de aula, afirme com seus gestos que a organização da vida cotidiana não existe sem nós. O cotidiano flui sob o nosso comando e assim, todas as mulheres vão poder exigir, com mais veemência, os seus direitos, assim como exigir respeito. O mundo nos deve esse reconhecimento, somos dignas.”

Nota

Mandala Lunar

“Praticar a autoinvestigação é ampliar a consciência sobre si e sobre o mundo, agindo com mais presença. É ser cientista de si mesma, pesquisadora dos próprios processos, cultivar hábitos que nos ajudem a perceber e lembrar, como observar (com gentileza), registrar (com verdade) e revisitar (com interesse), iluminar padrões e necessidades gerando escolhas mais coerentes com o nosso propósito”. p.32

Pada conhecer…clique

bruxas

As ditas “bruxas” na idade média – que morreram queimadas – eram mulheres extremamente poderosas, conectadas com seus ciclos e os da natureza, luas e intuição. Justamente por terem todo esse poder foram massacradas. […] Agradecer à sabedoria herdada, à vida que veio de tantas ancestrais até nascermos, e lembrar que tudo de bom que elas nos deixaram, segue conosco. Mas nos libertamos de toda dor vivenciada por elas para que sigamos nosso caminho livres! (texto Kareeemi)

eu, Vandinha (arquivo pessoal, 2021)