unha encravada

Hoje me sinto como uma unha encravada. Aquele pedaço de unha preso na carne do qual queremos nos livrar apressadamente. Sim, hoje me sinto como um pedaço de unha que foi cortado com pressa e sem jeito. Foi notável o conforto sentido por quem arrancou aquilo que parecia ser causa de toda dor. Hoje me sinto essa lasca, pedaço que incomoda, fonte de toda dor. Fica a impressão de que bastou remover-me para os passos se alinharem. É extremamente assustador me sentir como um pedaço de unha que foi arrancado – aterrorizante na verdade – mas não fui capaz de pensar em mais nada para além disso.

Mulher (mal)-educada

Foda-se toda essa história de mulher educada. Não sou de falar palavrões no meu dia a dia nem no círculos de amigos. Mas está doendo – muito – já não tenho mais palavras “delicadas” que consigam dar conta deste sofrimento que me coloquei. Tenho plena consciência – mea-culpa – de que também sou responsável por esta condição. Porra, dói para caralho ter um coração arrebentado. Me transformar num “tanto faz”, num “talvez” é angustiante para cacete. Que merda eu estou fazendo comigo mesma? Não consigo sequer escrever um palavrão que preste, que dirá ser uma mulher (mal)-educada.

A gente fica com medo do amor quando é machucada. Enquanto escrevo estas palavras me sentindo uma boba por ter acreditado que seria diferente. Tive o cuidado de perguntar a intenção antes de me jogar, parecia haver rede de proteção, mas eu cai no chão. Vasculho cuidadosamente meus pensamentos mas vejo apenas dor. Me fecho, dois passos para trás, encolho a testa entre as sobrancelhas. Afasto as pessoas a qualquer sinal de aproximação. Penso que talvez estejam todxs cansadxs das minhas histórias. Faz um ano… e eu pensei que seria tudo diferente, e não foi, não está sendo.

chorar

“quando chega a noite e você pode chorar” (Legião Urbana)

Quem nunca esperou anoitecer para chorar? Esperar o apagar da luzes e tudo silenciar. Após checar que não seremos interrompidas ou interrompidos desaguamos. Colocar tudo para fora é libertador, mas também é dor.

expectativas

Alguém sabe como diminuir ou controlar expectativas? Sei que é por segurança – para proteger a mim mesma – das frustrações que surgem no caminho. Mas será que as frustrações não são necessárias para nosso desenvolvimento? Como podemos evitar a dor de uma expectativa frustada? Ou seria a dor necessária para o processo de autoconhecimento? Será que basta apenas ter consciência de que o outro não é responsável pela sua frustração, para que fiquemos inume a ela? Há tantas perguntas…

Status

Chorar

Chorar. Colocar tudo para fora. Sentir cada parte do corpo doer. Diminuir ao abraçar a pernas enquanto o corpo treme. Chorar abafando a boca para não gritar, já que é madrugada. Dói. Já senti essa dor antes, ontem completou um ano, apesar de jurar para mim mesma que seria a primeira e última vez. Quebrei meu jurando e cá estou, quebrada novamente em vários pedaços. Ainda bem que sei qual cola usar. Unir os cacos não será tão difícil, confesso que aprendi muito com minha dor no passado. O fundo não será o meu lugar, não dessa vez.

Status

Consciente

Fui dormir mais cedo. Tomei o remédio que me “apaga” antes do horário habitual, atitude consciente. Achei mais seguro ir dormir. Dói muito ficar esperando por uma notificação sua que não chegará. Certeza que machuca e mareja meus olhos. Esperar. O prazo está se encerrando e quanto mais se aproxima fico ansiosa. Difícil prever o que acontece depois disso. Não há previsões. Nenhum movimento diferente. Nenhuma mensagem subliminar. A única alternativa é aguardar. Consciente me “apago”, não quero sentir dor, pelo menos por enquanto.