Citação

Cais – Karine

Veja bem, não há o que fazer
Se os erros atrás não fazem mudar você
Me busquei dentro dos olhos teus
De tudo encontrei, mas nem um resquício meu
Quis desafogar você do amargo mar de não se importar assim
E as migalhas que me deu não quero mais, eu quero mais pois

Foi pra longe de nós, se perdeu
Avançando os sinais do meu eu
Me encontrei como cais de nós dois
Só parta em paz, pois parte de nós já foi

Quis desafogar você do amargo mar de não se importar assim
E as migalhas que me deu não quero mais, eu quero mais pois

Foi pra longe de nós, se perdeu
Avançando os sinais do meu eu
Me encontrei como cais de nós dois
Só parta em paz, pois parte de nós já foi

Nota

não zerei

descobri – na terapia – que ainda não zerei. ainda me apego a ideia de que fui boba. carrego uma culpa que não é minha.

invalido todas as alternativas tentadas por mim. ” se eu fosse”, “se tivesse”, “se aceitasse “.

me diminui para caber. não coube. faz quase três anos. surpresa comigo mesma. choro. não zerei.

não foi sem intenção

A partir do momento que o outro conhece o que te causa dor, fazer sangrar a sua ferida é intencional – não há dúvidas. Talvez queiram testar a sua resistência, identificar até quanto você aguenta ser socada no estômago. Não consigo afirmar com precisão a quantidade de vezes que “arrancaram” as cascas das minhas feridas, choro sempre. Volto para lugares escuros e frios, que me embrulham o estômago. Chego a duvidar de mim mesma, penso se não estou me fazendo de vítima – a “coitadinha” de coração partido – a que foi deixada. Querem medir minha dor, comparar com outras histórias. Dor não se compara, todas as dores são legítimas, não pode haver concorrência para dor. Não fui a responsável por tudo, tenho consciência disso, mas se você sabe o motivo da minha dor e me faz sangrar novamente, a culpa é sua, e sim, intencionalmente.

estante vazia

algumas prateleiras da estante que estava nos planos – a que ficaria no escritório – ficarão vazias. nosso livros – os seus e os meus – não completará a biblioteca que sonhamos. foi difícil encaixotar seus livros que ainda estavam comigo. admirei cada um com os mesmos olhos que te admiravam. queria escrever um bilhete e escondê-lo entre as páginas. não escrevi, ingenuidade minha imaginar que você leria. guardar os livros na caixa me fez chorar. sensação de que estávamos nos separando mais uma vez. nós desfeitos. dói. sem coragem para te entregar – te ver de perto – pedi que deixassem a caixa na sua casa. quis evitar escutar o seu sorriso. sei que meus livros que ainda estão com você, também serão devolvidos. agora sou eu que receberei uma caixa. meus livros, que viram seus olhos pela última vez.

Status

no fim

E no fim é só você. Não faz eco. Carrego meu dias entorpecida de dor. Tudo é cinza. Entre respirações pausadas tento manter a calma. Tudo queima como brasa por dentro. O corpo cansado sustenta o peso da decepção. Em tempo algum imaginou que pudesse ser assim. Presa fácil. Talvez sofresse de miopia. Destino certo ser sozinha. Quiçá os sonhos serão realizados. Não há mais fantasia. A água salgada embaça os olhos. É fim. E só. Não vejo a linha de chegada.

Status

parei

Nas últimas semanas eu parei. Não tenho conseguido terminar a leitura da edição do mês de março da revista – e o mês de abril já está no final – livros, músicas, filmes e séries também seguem suspensos. Me deixa angustiada não conseguir fazer coisas que gosto. Meu foco – na verdade a falta dele – me fez parar de vez. Um freio brusco que não percebi como aconteceu. Parei. Escrever seja talvez a única coisa – na verdade é a única coisa – que consigo fazer no momento, pausa para me escutar, estado de catarse completo. Escrevo para me libertar. Grito de dor e choro. Desejo que as palavras não me abandonem, sem elas fica quase impossível respirar.