Nota

expor

estou expondo minhas dores. um lado escuro.

corpo cansado pesa sobre os pés.

renasço todos os dias. sem energia.

faço silêncio.

durante o dia engulo o choro. nas madrugadas me derramo.

duvido da minha fé. esqueço orações.

no modo automático caminho.

sem drama. é dor.

sinto.

tudo.

Status

no fim

E no fim é só você. Não faz eco. Carrego meu dias entorpecida de dor. Tudo é cinza. Entre respirações pausadas tento manter a calma. Tudo queima como brasa por dentro. O corpo cansado sustenta o peso da decepção. Em tempo algum imaginou que pudesse ser assim. Presa fácil. Talvez sofresse de miopia. Destino certo ser sozinha. Quiçá os sonhos serão realizados. Não há mais fantasia. A água salgada embaça os olhos. É fim. E só. Não vejo a linha de chegada.

Status

parei

Nas últimas semanas eu parei. Não tenho conseguido terminar a leitura da edição do mês de março da revista – e o mês de abril já está no final – livros, músicas, filmes e séries também seguem suspensos. Me deixa angustiada não conseguir fazer coisas que gosto. Meu foco – na verdade a falta dele – me fez parar de vez. Um freio brusco que não percebi como aconteceu. Parei. Escrever seja talvez a única coisa – na verdade é a única coisa – que consigo fazer no momento, pausa para me escutar, estado de catarse completo. Escrevo para me libertar. Grito de dor e choro. Desejo que as palavras não me abandonem, sem elas fica quase impossível respirar.

unha encravada

Hoje me sinto como uma unha encravada. Aquele pedaço de unha preso na carne do qual queremos nos livrar apressadamente. Sim, hoje me sinto como um pedaço de unha que foi cortado com pressa e sem jeito. Foi notável o conforto sentido por quem arrancou aquilo que parecia ser causa de toda dor. Hoje me sinto essa lasca, pedaço que incomoda, fonte de toda dor. Fica a impressão de que bastou remover-me para os passos se alinharem. É extremamente assustador me sentir como um pedaço de unha que foi arrancado – aterrorizante na verdade – mas não fui capaz de pensar em mais nada para além disso.

Mulher (mal)-educada

Foda-se toda essa história de mulher educada. Não sou de falar palavrões no meu dia a dia nem no círculos de amigos. Mas está doendo – muito – já não tenho mais palavras “delicadas” que consigam dar conta deste sofrimento que me coloquei. Tenho plena consciência – mea-culpa – de que também sou responsável por esta condição. Porra, dói para caralho ter um coração arrebentado. Me transformar num “tanto faz”, num “talvez” é angustiante para cacete. Que merda eu estou fazendo comigo mesma? Não consigo sequer escrever um palavrão que preste, que dirá ser uma mulher (mal)-educada.

A gente fica com medo do amor quando é machucada. Enquanto escrevo estas palavras me sentindo uma boba por ter acreditado que seria diferente. Tive o cuidado de perguntar a intenção antes de me jogar, parecia haver rede de proteção, mas eu cai no chão. Vasculho cuidadosamente meus pensamentos mas vejo apenas dor. Me fecho, dois passos para trás, encolho a testa entre as sobrancelhas. Afasto as pessoas a qualquer sinal de aproximação. Penso que talvez estejam todxs cansadxs das minhas histórias. Faz um ano… e eu pensei que seria tudo diferente, e não foi, não está sendo.

chorar

“quando chega a noite e você pode chorar” (Legião Urbana)

Quem nunca esperou anoitecer para chorar? Esperar o apagar da luzes e tudo silenciar. Após checar que não seremos interrompidas ou interrompidos desaguamos. Colocar tudo para fora é libertador, mas também é dor.