cansada

Alerta de textão

[…] Só estou triste hoje porque eu estou cansada. De um modo geral eu sou alegre […]

(Entrevista de Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura.)

Clarice é tão atemporal que me faz imaginar o que ela escreveria e falaria sobre esse tempo sombrio que estamos enfrentando   – chamo-a de Clarice como quem tem intimidade, sim, somos íntimas, há momentos que somos apenas nós duas.

Estou cansada, repito frequentemente, talvez você também. Exaustão física e mental. Não tem como fazer de conta ou forçar um riso quando se quer chorar. Bagunça interna. Caos mundial. No Brasil a crise política, econômica, social, ambiental, sanitária, educacional me causa mais incomodo. Às vezes penso que nada pode ser feito. A desigualdade escancarada. A violência gratuita. A meritocracia pungente. A discriminação velada. Me recuso a chamar o atual representante do país de presidente, não consigo nomeá-lo para além de genocida manipulador mentiroso. Tenho medo do que virá ou se virá. Estou cansada.

Ah, Clarice, você faz falta…

Nota

Revoltada

Eu NÃO consigo acreditar no que está acontecendo no Brasil. Eu NÃO sei mais o que fazer ou falar. A impressão é que ninguém escuta. Aonde posso reclamar sem correr o risco de sofrer ameças? Aonde posso pedir ajuda sem ser mal interpretada? Será que ainda resta alguma instituição que podemos confiar? Quem pode? Aonde pode? Estou revoltada, indignada, abismada, chocada, revoltada. Vontade de gritar: PORRA, TEM GENTE MORRENDO! Estamos todos doentes, não conseguimos mais dar conta da nossa saúde mental, já ultrapassamos todos os nossos limites. Nega-se tudo: saúde, educação, alimentação. NÃO dá mais, a gente precisa se unir, a gente precisa fazer alguma coisa. CHEGA, PELO AMOR DE DEUS, A GENTE JÁ SOFREU DEMAIS.

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Nossos fantasmas

Que bom seria se todos os nossos fantasmas fossem “bom camarada”, como Gasparzinho. A gente têm encarado monstros, visíveis e invisíveis. Dois mil e vinte se assemelha a um trem fantasma desgovernado. Tenho a sensação de estar participando de uma película de ficção científica, em alguns momentos me sinto como um rato de laboratório, sendo testada a todo momento. Virei cobaia da vida. É sabido que o mundo virou de ponta cabeça e nossas vidas giraram 180° graus. Como diz meu aluno: “está tudo bugando”. Realmente “bugou”e não faço a menor ideia de como sair desse trem fantasma, que insiste em me assustar. Gasparzinho, você está aí?

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