Imagem

(re)começar a escrever

imagem arquivo pessoal, 2022

Publicidade
Nota

construindo cuidado comigo mesma?

durante essa semana me descuidei. cheguei a duvidar do meu progresso na terapia – confesso que ainda tenho dúvidas. o mês de abril é carregado de significados, há memórias boas e outras que me ferem a alma – apesar dessa já estar ferida faz tempo. não querer escrever é evitar rememorar um passado – não tão distante assim – de mágoa e sofrimento. faz um ano – mas na verdade fazem três. anos que vi a minha vida inteira tombar depois da implosão – aquelas que assistimos nos filmes. implodi e tombei. os pedaços ainda estão espalhados – existe a possibilidade de não encontrar todos eles – alguns viraram pó. não consigo mentir para mim mesma e nem para as pessoas quando me perguntam como estou. ainda não estou bem – embora o psicólogo sinalize em todas as sessões que há uma excelente evolução. até este momento choro, duvido de mim mesma e penso ter sido a “peça” que fez tudo desandar. “se eu tivesse”, “se eu fizesse”, “se eu falasse”, “se eu fosse” são frases dentre tantas outras que me assombram. qual é o cuidado comigo mesma que estou vivenciando? não quero pensar mas eu penso. penso mas não quero pensar. nossa mente é realmente um campo desconhecido. sigo pisando em falso – estou muito cansada.

não foi sem intenção

A partir do momento que o outro conhece o que te causa dor, fazer sangrar a sua ferida é intencional – não há dúvidas. Talvez queiram testar a sua resistência, identificar até quanto você aguenta ser socada no estômago. Não consigo afirmar com precisão a quantidade de vezes que “arrancaram” as cascas das minhas feridas, choro sempre. Volto para lugares escuros e frios, que me embrulham o estômago. Chego a duvidar de mim mesma, penso se não estou me fazendo de vítima – a “coitadinha” de coração partido – a que foi deixada. Querem medir minha dor, comparar com outras histórias. Dor não se compara, todas as dores são legítimas, não pode haver concorrência para dor. Não fui a responsável por tudo, tenho consciência disso, mas se você sabe o motivo da minha dor e me faz sangrar novamente, a culpa é sua, e sim, intencionalmente.

Imagem

Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

.

(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

.
texto meu. fotografia @lobo_lidiane

e tá tudo bem se eu chorar por três dias seguidos. quero ficar um tempo sozinha. não estou querendo chamar atenção. nem é birra de criança. dar conta de tudo não é perfil meu. não quero esse título. estou dentro de mim. defeitos e medos me assustam. vai passar. eu só preciso de tempo. um pouco de coragem. um punhado de fé. o gosto salgado das lágrimas. ruim é quando a gente não escolhe qual saudade vai chegar. vou seguir. talvez sem tanta pressa. a vida não deve ser uma competição de quem chega primeiro. só quero paz. quero também amor. muita saúde. me reencontrar. hoje vou ficar em silêncio. amanhã quem sabe eu dou um sorriso.