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Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

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(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

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texto meu. fotografia @lobo_lidiane

e tá tudo bem se eu chorar por três dias seguidos. quero ficar um tempo sozinha. não estou querendo chamar atenção. nem é birra de criança. dar conta de tudo não é perfil meu. não quero esse título. estou dentro de mim. defeitos e medos me assustam. vai passar. eu só preciso de tempo. um pouco de coragem. um punhado de fé. o gosto salgado das lágrimas. ruim é quando a gente não escolhe qual saudade vai chegar. vou seguir. talvez sem tanta pressa. a vida não deve ser uma competição de quem chega primeiro. só quero paz. quero também amor. muita saúde. me reencontrar. hoje vou ficar em silêncio. amanhã quem sabe eu dou um sorriso.

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Sobre a dor

Hoje a dor veio me visitar mais uma vez. Abri os olhos e ela estava me encarando. Percebi que ela estava mais forte e gritava muito. Pedi para se retirar mas ela resistiu. Me provocou ânsia e me tirou a fome. Ela conseguiu embaçar meus olhos durante todo o dia. Hoje ela me deu uma rasteira que esfolou meus joelhos quando caí no chão. O corte abriu mais uma vez e sangra.