respeito

tenho respeitado meus sentimentos – todos eles – bons ou ruins. já não me escondo com a mesma frequência de meses atrás. assumo minhas risadas e também minhas lágrimas. quando o corpo pesa eu paro – aguardo. têm dias que danço comigo mesma, em outros quase não me suporto. autoconhecimento, caminho repleto de abismos. é uma aventura me (re)encontrar, todos os dias.

dos estudos sobre autoconhecimento

[…] autorretrato: fragmentos de uma busca de si e da sua projeção, colocando em
cena um sujeito que embora ainda não se reconheça sempre como tal, age sobre situações, reage a outras, ou, ainda, deixa-se levar pelas circunstâncias.

JOSSO, Marie-Christine. Experiências de vida e formação.2ed.rev e ampl. Natal, RN: EDUFRN; São Paulo: Paulus, 2010. p. 91

Sou inscrita em alguns canais de autoconhecimento desde que comecei essa jornada. Acabei de receber um e-mail que parece ter sido direcionado para mim – especificamente hoje, que o coração está apertadinho – dizendo para “não desistir desse processo, que aos poucos tudo irá fazer sentido”. Posso ir dormir tranquila, talvez chore um pouco, mas amanhã é outro dia.

Abaixo compartilho o e-mail que recebi.

Ela vivia um momento extremamente desafiador na vida dela. Noites mal dormidas, muitos questionamentos, poucas respostas. Algumas crises de ansiedade, a sensação do peso do mundo sendo carregado nas costas. Perdas não compreendidas, ressignificações muito demoradas. Choros sem sentido, desanimo mesmo com um mundo de obrigações pela frente. Mesmo que parecesse que não, ela estava se conhecendo.
E esse processo estava sendo intenso demais para ela. Só ela sabia o quanto ela estava sendo forte. Só ela sabia o quanto ela estava dando tudo que ela podia, naquele momento. Ela se via remando, remando, remando e parecia parar sempre no mesmo lugar. Momentos de silêncio, a dor de um vazio que ainda não fazia sentido. Mas ela continuava. Ela sabia que ela só descobria a força dela quando essa era a única alternativa que ela tinha: ser forte. E ela estava sendo forte, sentindo, chorando, vivendo, caminhando. Até que um dia, em meio a todos os afazeres dela, ela foi ao mercado e já finalizando as compras, ela avistou uma prateleira cheia de flores. Aquelas flores eram lindas, e, sem se questionar, ela comprou aquela verdinha, que falava direto com o coração dela. E ela foi para casa, sentindo o vento bater nos olhos, questionando mais uma vez o fato de não vermos mais tantos sorrisos por ai.
As bocas andam tampadas… Quando ela chegou, ela foi tomar um banho. E naquele momento que ela podia ser tudo que ela tinha pra ser, ela se emocionou… E ela chorou, chorou… fechou os olhos, sentiu… Porque eu estou chorando? ela se perguntava em mais um choro que parecia sem resposta, só que dessa vez, havia sido diferente. Diferente porque ela entendeu. Aquelas flores não haviam sido compradas para dar para um outro alguém e nem mesmo para apenas enfeitar a casa… Aquelas flores haviam sido compradas por ela, para ela. Minutos de silêncio… Emoção que transbordava ao reconhecer toda a fortaleza que ela vinha sendo nesses últimos tempos conturbados. Mais um passo. Dessa vez, em direção a ela mesma. E naquele instante tudo fazia tanto sentido… Ser e ver o próprio jardim florescer. E hoje ela acordou e está aqui pra dizer que você também merece flores. Você merece reconhecer a sua força, o seu brilho e toda a sua luta até aqui. Você merece o seu respeito, o seu reconhecimento e o seu amor. Por você, para você. Só você sabe o quanto você tem dado o seu melhor ultimamente… E talvez, por hoje, isso seja o suficiente para você entender o quanto você é forte. A gente sabe que por muitos momentos a caminhada fica difícil, os pensamentos desordenados, as emoções a flor da pele. Mas eu queria te dizer que é continuando a sua obra que você vai habitar em você. Não desista… aos poucos tudo vai fazendo sentido. Você merece flores! Essas aqui… Também são para vc ♥️.

Marina Repetto

um presente (Juliete)

Não é um texto para falar sobre reality show, embora esteja acompanhando o desenrolar da edição 21. Este texto é para falar sobre música. Gosto de música – na verdade eu amo música, a arte em forma de música, assim como a fotografia exercem um poder misterioso sobre mim. Constantemente estou descobrindo uma banda, uma cantora, um cantor, uma canção nova. Uma descoberta musical que me tocou e fez todo sentido, no processo de autoconhecimento que encaro no momento, foi a música “Triste, Louca Ou Má” Francisco, El Hombre, cantada pela participante Juliete, da edição 21, do reality show do momento. A letra dessa música foi como um presente para mim, uma descoberta musical que aqueceu meu coração, a letra fala sobre o feminino e todos os estereótipos que carregamos por ser mulher. Somos qualificadas, julgadas, condenadas, pressionadas, discriminadas e etc. Que nós – mulheres – aprendamos sempre um pouco mais sobre nós mesmas e que consigamos “desatinar” sempre que preciso for.

“Eu não me vejo na palavra / Fêmea, alvo de caça / Conformada vítima / Prefiro queimar o mapa / Traçar de novo a estrada / Ver cores nas cinzas / E a vida reinventar. “Triste, Louca Ou Má” Francisco, El Hombre

expectativas

Alguém sabe como diminuir ou controlar expectativas? Sei que é por segurança – para proteger a mim mesma – das frustrações que surgem no caminho. Mas será que as frustrações não são necessárias para nosso desenvolvimento? Como podemos evitar a dor de uma expectativa frustada? Ou seria a dor necessária para o processo de autoconhecimento? Será que basta apenas ter consciência de que o outro não é responsável pela sua frustração, para que fiquemos inume a ela? Há tantas perguntas…