ruas desertas

dose de reforço da vacina contra COVID-19, OK. saí cedo de casa. chamar um carro por App – no início da manhã – com ruas ainda desertas me deixa tensa. ruas cheias não é garantia de nada, eu sei. chamei o carro. era uma mulher. meu coração agradeceu com batidas compassadas – desaceleradas. assim que entrei no carro comentei que era bom ser uma motorista – mulher – que me levaria até meu destino. ela comentou brevemente: “sim”. não prossegui com a conversa. olhando olhando pela janela, a rua ainda deserta, me questionei a que horas aquela mulher havia saído de casa. sair de casa e ter como única certeza o caminho que volta para ela. lembrei das mulheres que conheço no dia a dia, encarando o mundo. tem medo. mas seguem. a gente consegue aprender com todas elas. basta ver pela janela ruas desertas. vejo poesia.

2km é meta alcançável

nos últimos anos me submeti a objetivos inalcançáveis, em alguns momentos não dependiam apenas de mim, haviam condições externas. a gente se frustra – bastante – quando não atingimos o que desejamos ou estabelecemos como meta. ontem saí para correr. estabeleci a minha meta – consciente do meu limite – deu certo. corri até a marca determinada por mim – para minha surpresa o App de corrida marcou 2Km – sensação boa alcançar o objetivo. não tenho dúvidas que os estudos sobre autoconhecimento me trouxe a consciência dos meus limites – composição física e mental – é fundamental para nosso crescimento. todos os dias aprendo mais um pouco comigo mesma. faz tempo que me propus uma meta alcançável, cumpri-la é mágico.

Nota

Mergulho


Como faço para reparar erros que cometi no passado? Hoje, mais madura, consigo identificar todas às vezes que falhei.

Não, não pense que isso me faz paralisar, agora tenho consciência dos muros que construí e aceito com gratidão a mulher que fui e sou.

Admito que poderia e deveria ter feito diferente, mas fui seguindo regras escritas, para não dizer impostas, por uma sociedade conservadora e machista. Sempre ouvi a frase: “seja uma boa moça e aguarde”, ingênua eu esperei.

Faz pouco tempo que venho me (re)descobrindo, experimentando uma força que por tantas vezes renunciei por acreditar que não possuía.

Percebo que dar um salto para dentro de si mesmo é um ato de coragem, a gente corre o risco de se machucar muito. Queda livre com frio na barriga. Quem nos aguarda lá embaixo, para amortecer o impacto da queda é nossa criança interior. Abraçadas choramos.

Peço perdão para a menina que fui e agradeço pela mulher que sou. Estou em paz mas sei que esse encontro é um dos muitos veus que precisam ser tirados e ressignificados.