cartase

Em 2020 resolvi sair de cena ao mesmo tempo em que a pandemia nos obrigou a ficar conectados. Dei dois passos para trás, não por opção, foi única alternativa que a vida me apresentou. Respeitei a decisão do outro e segui catando meus cacos que ficaram espalhados pelo chão, quando fui quebrada. Ainda tenho a marca dos meus joelhos ralados, das vezes que caí no chão, de várias alturas. Escrever foi um dos mecanismos de cura, terapêutico, que me agarrei. Cartase. Nunca foi tão libertador falar o que sinto e expor minhas dores sem o medo de parecer ridícula ou frágil. Me permiti sofre por amor. Doído e solitário. Tempo de autoconhecimento. Amadurecer é processo lento e não linear. Hoje, último dia deste ano esquisito que vivemos, revejo todos os passos que dei e sinto orgulho. Estou orgulhosa da mulher que me tornei, apesar de, consegui ressignificar muita coisa que trazia comigo. Conheci a bruxa que mora em mim, a velha guerreira de tranças. Me reconectar com minhas ancestrais e descobrir a força das mulheres foi o impulso que me tirou do poço escuro que me escondi. Há muito ainda o que aprender e evoluir mas tenho a consciência de que já não sou mais aquela, tímida e medrosa, agora me “mostro” e encaro meus medos de frente. Sigo acreditando na letra da canção que diz: “o amor é a única revolução verdadeira”. Que o amor nos salve.

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Nossos fantasmas

Que bom seria se todos os nossos fantasmas fossem “bom camarada”, como Gasparzinho. A gente têm encarado monstros, visíveis e invisíveis. Dois mil e vinte se assemelha a um trem fantasma desgovernado. Tenho a sensação de estar participando de uma película de ficção científica, em alguns momentos me sinto como um rato de laboratório, sendo testada a todo momento. Virei cobaia da vida. É sabido que o mundo virou de ponta cabeça e nossas vidas giraram 180° graus. Como diz meu aluno: “está tudo bugando”. Realmente “bugou”e não faço a menor ideia de como sair desse trem fantasma, que insiste em me assustar. Gasparzinho, você está aí?

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