poesia vulnerável

Parada de descompressão;
Hiato inevitável;
(Re)definir limites;
Honrar seu tempo;
Sentar quando o corpo cansa;
Coragem é acolher os medos;
Não é sobre estar no fundo;
É sobre como subir à superfície;
Ser vulnerável;
Primeiro degrau;
Faço poesia.

*imagem arquivo pessoal,2021.

cansada

Alerta de textão

[…] Só estou triste hoje porque eu estou cansada. De um modo geral eu sou alegre […]

(Entrevista de Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura.)

Clarice é tão atemporal que me faz imaginar o que ela escreveria e falaria sobre esse tempo sombrio que estamos enfrentando   – chamo-a de Clarice como quem tem intimidade, sim, somos íntimas, há momentos que somos apenas nós duas.

Estou cansada, repito frequentemente, talvez você também. Exaustão física e mental. Não tem como fazer de conta ou forçar um riso quando se quer chorar. Bagunça interna. Caos mundial. No Brasil a crise política, econômica, social, ambiental, sanitária, educacional me causa mais incomodo. Às vezes penso que nada pode ser feito. A desigualdade escancarada. A violência gratuita. A meritocracia pungente. A discriminação velada. Me recuso a chamar o atual representante do país de presidente, não consigo nomeá-lo para além de genocida manipulador mentiroso. Tenho medo do que virá ou se virá. Estou cansada.

Ah, Clarice, você faz falta…

Status

no fim

E no fim é só você. Não faz eco. Carrego meu dias entorpecida de dor. Tudo é cinza. Entre respirações pausadas tento manter a calma. Tudo queima como brasa por dentro. O corpo cansado sustenta o peso da decepção. Em tempo algum imaginou que pudesse ser assim. Presa fácil. Talvez sofresse de miopia. Destino certo ser sozinha. Quiçá os sonhos serão realizados. Não há mais fantasia. A água salgada embaça os olhos. É fim. E só. Não vejo a linha de chegada.