estante vazia

algumas prateleiras da estante que estava nos planos – a que ficaria no escritório – ficarão vazias. nosso livros – os seus e os meus – não completará a biblioteca que sonhamos. foi difícil encaixotar seus livros que ainda estavam comigo. admirei cada um com os mesmos olhos que te admiravam. queria escrever um bilhete e escondê-lo entre as páginas. não escrevi, ingenuidade minha imaginar que você leria. guardar os livros na caixa me fez chorar. sensação de que estávamos nos separando mais uma vez. nós desfeitos. dói. sem coragem para te entregar – te ver de perto – pedi que deixassem a caixa na sua casa. quis evitar escutar o seu sorriso. sei que meus livros que ainda estão com você, também serão devolvidos. agora sou eu que receberei uma caixa. meus livros, que viram seus olhos pela última vez.

Nota

dizer

Ficaria com você até ficar velhinha – não por acomodação – por amor. Não precisaria fazer esforço algum para dividir meu dias com você. Não menti sobre meus sentimentos – nunca menti. Os planos seriam cumpridos – todos eles. Acho que sou a pessoa mais clichê possível, sempre acreditei que seria casa, cachorro e filhos. Você mudou… eu notei, perguntei o motivo mas você repetia “é o mesmo de sempre”, as coisas no trabalho, em casa, na vida. Continuei oferendo minha melhor versão – eu queria ajudar. Você não me deixou segurar suas mãos, e isso doeu. O discurso “sou eu e não você” gelou meu coração. Mesmo sabendo que não havia mais nada a ser feito, eu fiz. Combinados, acordos, tempo, silêncio, distância e conversas. Me machuquei em todas as tentativas. Você não queria mais, eu sempre quis. No fim, eu fui embora em pedaços, e você me pediu desculpas. Não olhei para trás, abri o portão e entrei, eu sabia que não aguentaria te dizer adeus.

Lua crescente

Sinto que estamos todas conectadas. 
Dizem que Lua crescente aponta a intenção pela mudança. 
No caminho encontrei mulheres que me acolheram, 
de cada uma recebi um punhado de força. 
Memórias ligadas pela ancestralidade.
Hoje tem Lua crescente no céu.
Na minha pele também.
Mudei.
Talvez seja esse o (re)começo.
Não estou sozinha.
Todas elas estão comigo.
Cada uma com sua própria história.

créditos da imagem @trilliantattoo

Nota

Resolvi aparecer só porque o @tiagoiorc apareceu.

Para quem não tá sabendo da novidade… ele lançou na quinta-feira (11) nova música e novo clipe.

A letra é IMPACTANTE, o clipe ainda mais. Necessário escutar – digo escutar não apenas ouvir – mais de uma vez para entender a mensagem. Seis minutos de tirar o fôlego.

O tema é indispensável para reflexão e discussão, chama atenção para questões que estão presentes em nosso dia a dia. @tiagoiorc expôs suas vulnerabilidades, e é preciso ter coragem para fazê-la. Lembrei do título do livro de Brené Brown, “A coragem de ser imperfeito”, lido recentemente, que fala sobre aceitar nossas vulnerabilidades e ousar ser quem você é.

Um spoiler dessa letra tão impactante👇🏼

[…]
Eu duvidei da minha validade. Na insanidade virtual. 
[…]
Precisamos nos responsabilizar, meus amigos / A gente cria um mundo extremo e opressivo / Diz aí, se não estamos todos loucos / Por um abraço / Que cansaço
[…]
Cuidado com padrões radicais / Cuidado com absurdos  normais / Cuidado com olhar só pro céu / E fechar o olho pro inferno que a gente mesmo é capaz”
[…]

Do que li…

ESTÉS, Clarissa Pinkola. A ciranda das mulheres sábias: ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem; tradução de Waldéa Barcellos – Rio de Janeiro: Rocco, 2007. p.93-94.

Por todas as mulheres mais velhas matreiras que estão aprendendo quando chegou a hora certa de dizer o que precisa ser dito e não se calar — ou calar-se quando o silêncio for mais eloquente que as palavras. Por todas as velhas em formação, que estão aprendendo a ser gentis quando seria tão fácil ser cruel… que conseguem ver que podem cortar quando for necessário, com um corte afiado e limpo… que estão praticando a arte de dizer verdades totais com total compaixão. Por todas as que rejeitam as convenções e preferem apertar as mãos de desconhecidos, cumprimentando-os como se os tivessem criado desde filhotinhos e os tivessem conhecido desde sempre… por todas as que estão aprendendo a chocalhar os ossos, balançar o barco — e a cama —, além de acalmar as tempestades…. por aquelas que são as guardiãs do azeite para a lâmpada, que se mantêm em silêncio no culto diário… por aquelas que cumprem os rituais, que se lembram de como fazer fogo a partir da simples pederneira e paina… por aquelas que dizem as antigas orações, que se lembram dos símbolos, das formas, das palavras, das canções, das danças e do que no passado os ritos tinham o objetivo de instaurar… por aquelas que abençoam os outros com facilidade e frequência… por aquelas mais velhas que não têm medo — ou que têm medo — e que agem com eficácia de qualquer modo…

Por elas…

que vivam muito,

com força e saúde,

e com um imenso espírito aberto aos ventos.