cansada

Alerta de textão

[…] Só estou triste hoje porque eu estou cansada. De um modo geral eu sou alegre […]

(Entrevista de Clarice Lispector, concedida em 1977, ao repórter Júlio Lerner, da TV Cultura.)

Clarice é tão atemporal que me faz imaginar o que ela escreveria e falaria sobre esse tempo sombrio que estamos enfrentando   – chamo-a de Clarice como quem tem intimidade, sim, somos íntimas, há momentos que somos apenas nós duas.

Estou cansada, repito frequentemente, talvez você também. Exaustão física e mental. Não tem como fazer de conta ou forçar um riso quando se quer chorar. Bagunça interna. Caos mundial. No Brasil a crise política, econômica, social, ambiental, sanitária, educacional me causa mais incomodo. Às vezes penso que nada pode ser feito. A desigualdade escancarada. A violência gratuita. A meritocracia pungente. A discriminação velada. Me recuso a chamar o atual representante do país de presidente, não consigo nomeá-lo para além de genocida manipulador mentiroso. Tenho medo do que virá ou se virá. Estou cansada.

Ah, Clarice, você faz falta…

Status

no fim

E no fim é só você. Não faz eco. Carrego meu dias entorpecida de dor. Tudo é cinza. Entre respirações pausadas tento manter a calma. Tudo queima como brasa por dentro. O corpo cansado sustenta o peso da decepção. Em tempo algum imaginou que pudesse ser assim. Presa fácil. Talvez sofresse de miopia. Destino certo ser sozinha. Quiçá os sonhos serão realizados. Não há mais fantasia. A água salgada embaça os olhos. É fim. E só. Não vejo a linha de chegada.

Imagem

uma borboleta azul e vermelha

Ela pousou em mim. Não notei quando ela se acomodou delicadamente na minha blusa. Minha amiga que estava próxima percebeu quando a borboleta pousou em mim. Sorrindo ela disse: “pousou do lado do coração”. Eu segurava uma xícara de chá e falava a sobre os desafios que a vida nos apresenta. Voou.

Tenho uma borboleta tatuada no meu braço. Amo borboletas. Observamos que borboleta havia pousado num carro. Minha amiga se aproximou, aumentou o zoom do celular e fotografou. Cheguei mais perto também. Tive a impressão de que a borboleta esfregava uma asa na outra, esse movimento revelou rapidamente a cor das suas asas. Vermelha e azul – azul brilhante. Não deu tempo fazer registro. Eu vi e minha amiga também. Com os olhos marejados falei: “nunca tinha visto uma borboleta azul de perto”. A borboleta voou pelo céu azul ensolarado. Desapareceu.

Sabe aquele sinal que você pede? Ele pode chegar em forma de borboleta.

sinal do Universo (06/08/2021)

a sociedade está involuindo

♀️ Alerta de textão ♀️

Difícil acreditar que estamos no século XXI. É INACEITÁVEL que planos de saúde exijam o consentimento do marido para autorizar a realização do procedimento de inserção de DIU (dispositivo intrauterino), método contraceptivo.
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Mais um dos absurdos do CAPITALISMO=PATRIARCADO=MACHISMO. A posse do nosso corpo NÃO PODE E NÃO DEVE ser de outra pessoa além de nós mesmas.
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Abaixo compartilho um texto muito lúcido sobre essa exigência.
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@debora_d_diniz A jornalista Victoria Damasceno me ligou. O pedido era inusitado: o que eu teria dizer sobre a obrigatoriedade de consulta ao marido para mulheres que buscassem um DIU? Sim, a pergunta era essa—marido, namorado, companheiro, o homem de uma relação afetiva-sexual tem o poder de vetar que uma mulher use um DIU?

Cheguei a duvidar do que a jornalista me contava: planos de saúde exigiam o consentimento dos maridos para o uso de DIU. Ainda assim descreviam os homens com poder de decisão: maridos.  Só não pensei que estava fora do tempo, talvez no século 19, porque DIU foi desenvolvido nos anos 1960.

As razões devem ser comerciais, como sempre fazem os planos de saúde. Ao exigir essa figura civil do marido, nem todas as mulheres se apresentam em conjugalidade para a decisão de um método. Imediatamente, se reduz a demanda. Há as sozinhas, as solteiras com companheiros, as sozinhas com companheiras e companheiros, e tudo mais que a imaginação e desejo puder nos levar.

Mas é também o patriarcado alimentando o capitalismo feroz. A lógica da restrição de acesso a um serviço se move por uma racionalidade patriarcal de controle dos corpos das mulheres. As mulheres seriam propriedade dos homens que se apresentem como maridos, a tal ponto que a vontade deles decidiria se ela usa ou não um DIU.

Há poucas situações em nossas vidas que estamos, verdadeiramente, diante de um dilema moral. Aqui é uma delas: se o marido diz “não”, não há DIU. Só há duas respostas possíveis a essa pergunta infame dos planos de saúde, consentir ou não consentir, e ambas são atribuídas ao patriarca.

Alguém duvida de como o patriarcado está entranhado em nós?