respeito

tenho respeitado meus sentimentos – todos eles – bons ou ruins. já não me escondo com a mesma frequência de meses atrás. assumo minhas risadas e também minhas lágrimas. quando o corpo pesa eu paro – aguardo. têm dias que danço comigo mesma, em outros quase não me suporto. autoconhecimento, caminho repleto de abismos. é uma aventura me (re)encontrar, todos os dias.

texto que não será enviado

Faz muito tempo, que não tem um sábado 27, em novembro, ainda lembro daquele. Recordei isso no início dessa semana, quando precisei digitar a senha do app. Pensei em te escrever, devo ser mesmo teimosa, e já que sou... Porquê não?

Não procurei pensar muito no que falar, escrevo a medida que as palavras saem. Chamar de mais uma tentativa, de mais uma chance... Não sei. Talvez eu não faça ideia do perigo escondido nessas minhas palavras, de eu mesma me machucar. Crio expectativas, difícil evitar.

Será que como nos filmes, a gente pode "zerar", não no sentido de esquecer tudo, mas no sentido de reiniciar? Pensei nesse 27/11, a gente sentar, conversar... Só não dá para ter show do Calipso.  

Sei que não posso entrar assim na sua vida, do nada, e talvez bagunçar o que você já arrumou, não é minha intenção, nunca foi. Eu sou mesmo "exagerada" e exageradamente teimosa, te faço o convite para um café, no sábado 27, no final da tarde. Você pode recusar esse convite e tudo bem se for assim, quem sabe só tenha existido um 27/11 na vida da gente.

Me sinaliza até sexta.

Abç

este texto não será enviado

este texto não será enviado. queria te escrever, mas não devo. pensei em iniciar a escrita dizendo que prefiro me arrepender do que fiz do que pelo que não fiz, justificativa mais que sincera para te encaminhar um e-mail. confessar que ainda te amo estaria no primeiro parágrafo. depois te convidaria para comer uma pizza, tomar um café… jogar conversa fora e dar risadas. sinto falta, a sua. esse texto não será enviado.

Talvez (Caetano Veloso e Tom Veloso)

Talvez pra você eu seja mais um
Pra mim você é o que ninguém foi
Eu vivo a vida com calma
Pensando no amor
Talvez meu olhar que te conquistou
Não tenha mais luz nem tenha mais cor
Mas tantas memórias, histórias
Canções pra compor
Me levam a crer que você
Planeja ficar sem me ver
Mas guarda no fundo a voz
Da vida cantando pra nós
Talvez esta dor um dia fará
Do nosso lugar um forte, um lar
Eu guardo no peito a vontade
E a certeza de amar

estante vazia

algumas prateleiras da estante que estava nos planos – a que ficaria no escritório – ficarão vazias. nosso livros – os seus e os meus – não completará a biblioteca que sonhamos. foi difícil encaixotar seus livros que ainda estavam comigo. admirei cada um com os mesmos olhos que te admiravam. queria escrever um bilhete e escondê-lo entre as páginas. não escrevi, ingenuidade minha imaginar que você leria. guardar os livros na caixa me fez chorar. sensação de que estávamos nos separando mais uma vez. nós desfeitos. dói. sem coragem para te entregar – te ver de perto – pedi que deixassem a caixa na sua casa. quis evitar escutar o seu sorriso. sei que meus livros que ainda estão com você, também serão devolvidos. agora sou eu que receberei uma caixa. meus livros, que viram seus olhos pela última vez.

Nota

dizer

Ficaria com você até ficar velhinha – não por acomodação – por amor. Não precisaria fazer esforço algum para dividir meu dias com você. Não menti sobre meus sentimentos – nunca menti. Os planos seriam cumpridos – todos eles. Acho que sou a pessoa mais clichê possível, sempre acreditei que seria casa, cachorro e filhos. Você mudou… eu notei, perguntei o motivo mas você repetia “é o mesmo de sempre”, as coisas no trabalho, em casa, na vida. Continuei oferendo minha melhor versão – eu queria ajudar. Você não me deixou segurar suas mãos, e isso doeu. O discurso “sou eu e não você” gelou meu coração. Mesmo sabendo que não havia mais nada a ser feito, eu fiz. Combinados, acordos, tempo, silêncio, distância e conversas. Me machuquei em todas as tentativas. Você não queria mais, eu sempre quis. No fim, eu fui embora em pedaços, e você me pediu desculpas. Não olhei para trás, abri o portão e entrei, eu sabia que não aguentaria te dizer adeus.