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Redemoinhos

imagem arquivo pessoal, 2021

Alerta de textão na madruga

Sempre tive muito cuidado ao escutar uma história que chega, principalmente quando têm mais pessoas envolvidas. É claro que quem conta apresenta apenas uma perspectiva, aquilo que aprendemos em física, no segundo grau: “tudo depende do ponto de referência”. Considero que para me posicionar é prudente escutar todas as partes envolvidas, regra básica do direito – não sou advogada.

Me entristece escutar sobre histórias que são contadas por aí sem o devido cuidado. Viram redemoinhos enormes que nos atingem em cheio, derrubam e fazem chorar. Machuca, fere e faz doer.

Tenho alguns arranhões nos joelhos – quem não? Há uma história sendo contada, se ainda não me escutaram sinto muito, meus redemoinhos são silenciosos. Talvez um dia eu os transformem em música.

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(Canto de Oyá – Rosa Amarela)

“[…]
Minha mãe me ensinou / A ser brisa quando puder / E também me deu / A valentia de mil búfalos em uma mulher.
[…]
Que eu sou filha do vento / E não me rendo, ao mal tempo”

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texto meu. fotografia @lobo_lidiane

07 de setembro

📣Alerta de textão ☮️

Pensei em ficar em silêncio no dia de hoje, 07 de setembro. Não sou uma crítica política e sei muito pouco sobre o tema, mas o suficiente para me posicionar.

Não tem a menor condição de concordar com o comportamento INSANO, do DESGOVERNANTE do país. Se fosse filme a realidade que vivemos hoje, certamente estaria na sessão de TERROR.

Penso em desistir da luta, mas lembro de todas nossas ancestrais que lutaram, e se estamos aqui hoje foi porque elas não desistiram.

👇🏼Abaixo texto lúcido da @debora_d_diniz , ela sabe o que fala.
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Hoje é um dia triste. Há muita ansiedade por cada uma de nós. Pelo futuro de nosso país.

Pensemos juntas para que jamais venhamos a desistir de lutar pela democracia.

As cenas de ontem à noite com gente horrível invadindo a Esplanada é de arrancar o sono. A mim, me inquieta mais saber que eles existem e se reconhecem como certos ou justos que mesmo a presença pelas ruas.

Os caminhões do agronegócios e as mulheres indígenas por ali, acampadas.

É gente má. Sei que o vocabulário é quase infantil. Mas há gente má. É toda aquela que não acredita na democracia, que não protege os direitos humanos, que é autoritária.

Essa gente que veste verde e amarelo está ressentida e acuada. Uma combinação de afetos negativos que os fazem o rebanho da maldade.

Quem são eles? O tipo comum que sonha em ter empregadas como gente da família; gente que adora consumir futilidades por que “eu mereço”; gente que odeia as cotas universitárias porque os filhos da elite perderam as vagas; gente que adora os privilégios da herança colonial, mesmo sendo sujeitos em mobilidade econômica. São os que veneram o patriarca e projetam-se nele.

Há uma mistura entre as elites econômicas e raciais deste país e gente em mobilidade social alienada pelo capitalismo para o autoritarismo. Em comum, querem um país mais desigual para que possam ser só eles, os eleitos.

E nós que fazemos? Nos encontramos para pensar, refletir juntas sobre o que vemos e sentimos. Nos mobilizamos politicamente.

Uma das táticas do fascismo é nos alienar pelo permanente estado de medo. Rejeitemos o medo pelo pensamento que se encontra uma na outra.

Nota

Empatia, especiaria rara

A sociedade vai te julgar – e muito – se você for mulher mais ainda. Seu nome será assunto nas rodas de conversas e nos almoços familiares aos domingos. Te atribuirão um adjetivo – você ganhará um defeito e também uma piada.

Empatia se transformou numa especiaria rara, como aquelas do século XV, por ser impossível, com os conhecimentos da época, cultivá-las.

Vivemos “tempos líquidos”, avisava Zygmunt Bauman.