Nota

autoconhecimento

Mas nosso tempo é cíclico, tempo-espiral. Conhecer a Lua, as estações, o óvulo, cada um em seu ritmo, no seu ciclo e confluindo. Ser flor não é só ser esplendor. Ser flor é se permitir revolver a terra, lançar-se como semente, nutrir, florescer e reflorescer conectada com o ciclo pessoal e do universo.(Renata Stein) 

*imagem arquivo pessoal, 2022

“Qual a menor ação possível agora? Se você está se sentindo travada, — uma ferramenta poderosa é identificar a menor versão possível da ação que você quer tomar. A menor ação possível é tão pequena que não tem a força de nos paralisar -dá pra fazer agora. – Planejamento Selvagem

Mandala lunar 2022 : um caminho de autoconhecimento / organização Ieve Holthausen, Naíla Andrade. –1. ed. — Porto Alegre, RS : Mandala Lunar, 2021.p.93

Mandala lunar 2022 : um caminho de autoconhecimento / organização Ieve Holthausen, Naíla Andrade. –1. ed. — Porto Alegre, RS : Mandala Lunar, 2021.p.91

quarto de espelhos

eu ando pelo mundo arrancando as etiquetas que colam em mim. eu não caibo nas gavetas, caixas e prateleiras que me apresentam como destino.


minha partida é inteira. sou mais desatino e revoada do que ponto de chegada. quando me vês, sou outra, e a mulher que anda firme ao meu lado é uma versão atualizada de mim.


lamento bem pouquinho se te desagrado. e ofereço: teu olhar crítico viesse com cep, te devolveria compassiva cada uma das expectativas sobre quem você supõe que eu sou.

de brinde, te enviaria caquinhos deste quarto de espelhos que estilhaço a cada dia.

por irônico que pareça, quebradinho tem mais-valia nesse jogo que nos separa à serviço da mercantia.

por todas as vezes que me senti inadequada, o meu desagravo é me amar tim-tim por tim-tim, hoje, amanhã, sempre: respirando, acolhendo e celebrando esta que vou sendo… até o fim.

Nanda Barreto

ruas desertas

dose de reforço da vacina contra COVID-19, OK. saí cedo de casa. chamar um carro por App – no início da manhã – com ruas ainda desertas me deixa tensa. ruas cheias não é garantia de nada, eu sei. chamei o carro. era uma mulher. meu coração agradeceu com batidas compassadas – desaceleradas. assim que entrei no carro comentei que era bom ser uma motorista – mulher – que me levaria até meu destino. ela comentou brevemente: “sim”. não prossegui com a conversa. olhando olhando pela janela, a rua ainda deserta, me questionei a que horas aquela mulher havia saído de casa. sair de casa e ter como única certeza o caminho que volta para ela. lembrei das mulheres que conheço no dia a dia, encarando o mundo. tem medo. mas seguem. a gente consegue aprender com todas elas. basta ver pela janela ruas desertas. vejo poesia.